Meu lar é meu castelo


Cheguei em casa no início da noite de segunda-feira. Meu primeiro impulso foi voltar imediatamente para Flopis. Não me recordava de ter deixado o castelo tão bagunçado como o encontrei. Roupas espalhadas pelo chão, pratos e talheres sujos, restos de comida embolorados na pia da cozinha compunham o cenário de boas-vindas. Abri a geladeira e os batimentos cardíacos aceleraram diante da visão daquele mundo de detritos esverdeados. Fechei a porta, tapei o nariz e cambaleei. Felizmente não desmaiei.

***

A viagem de volta foi tumultuada. O ônibus saiu às 12h15. Os passageiros, na sua maioria, eram integrantes daquela faixa etária que se convencionou chamar de terceira idade. O mais jovem era eu. No meio do caminho, um pneu traseiro recapado foi pro pau; a seguir, o banheiro entrou em colapso (meu lugar era no fundo do ônibus). Por sorte, uma simpática anciã sentada ao meu lado estava munida de um frasco de perfume de cheiro delicioso, com que gentilmente borrifou a atmosfera no restante do trajeto. Chegamos depois de oito horas e meia. Antigamente a viagem durava seis horas. Interessante, ao que parece, a cada ano que passa, aumenta a distância entre Flopis e POA. As placas tectônicas devem estar de mudança.

***

A primeira pessoa a me recepcionar, antes mesmo que eu adentrasse às muralhas que protegem o castelo, foi Odaléia, minha doce e prestativa vizinha. Envolveu-me num abraço de corpo inteiro, beijou-me as faces e, com os olhos lacrimejantes, declarou sua saudade. Teríamos ficado ali no bem bom se Valdirão, o energúmeno, marido de Odaléia, não estivesse nas proximidades. Depois de me dar um tapaço nas costelas, fez piadinhas sujas, de conteúdo sexual, que não reproduzo aqui em respeito ao bom gosto e a sensibilidade de quem me lê. Agastado, retirei-me.

***

Aparentemente, deixei de pagar a conta do telefone antes de sair de férias. Ingrata, a Br Telecom suspendeu a prestação de serviço, desprezando 10 anos de pontualidade britânica (menos, menos...). Recorri ao banco, em busca de recursos. O gerente sequer me recebeu. Radicalizei e assestei a alça de mira para os cofres públicos – se existe dinheiro para os banqueiros, deve ter uns trocados para mim. Liguei diretamente para o Palácio do Planalto (não mantenho boas relações com o pessoal do Banco Central). O presidente Lula, outro ingrato, também sequer falou comigo (“ta ocupado”, disse a secretaria mal educada). Magoei. Assim, fui obrigado a buscar socorro com Paulão, o quebra-galho financeiro do bairro. Se não pagar o empréstimo na semana que vem, talvez ele quebre minhas pernas. Simpático, o Paulão.

***

Joguei fora as roupas sujas (irrecuperáveis), limpei a geladeira (sem a ajuda da doce Odaléia, o Valdirão não está de bom humor) e paguei a conta do telefone. Antes, na terça-feira, fechei o vibrante mensário Marca da Cal, juntamente com meu associado Moah. Aos poucos a vida volta ao normal. Antes, claro, tem o carnaval. Pensando bem, depois da Páscoa, seguramente, no ano vai começar pra valer.

***

Beijos, meninas. Abraços, rapazes. É bom estar em casa.

Arriba!

(PS: repararam que não usei a palavra “porra”? Estou ficando civilizado).

Porto Alegre, bah!, trilegal


Dias mágicos e agitados por aqui, em Flopis. Segunda-feira estou de volta ao lar. Mas hoje ainda é domingo, portanto, há tempo para o last goodbye, na Lagoa do Peri.
Beijos e abraços generalizados. Volto na semana que vem, depois de me adaptar ao fuso horário.
(Na foto acima, a mana Rosa, eu e a sobrinha e afilhada Adri. Ao fundo, Jurere Internacional, naturalmente).

A Malvada


Quer saber quem é, clica aqui

Bailando em Floripa


Sábado passado fui com meu sobrinho Alexandre a um bailão no Clube Maré Alta. Compareci inicialmente na qualidade de observador. Como homem de comunicação, gosto de observar os nativos em ação no seu habitat natural. Foi interessante. Fazia um longo tempo que não frequentava este tipo de evento, mais até do que gosto lembrar.
Algumas coisas não mudaram; havia muitas mulheres, de todas as raças, formas e idades. Belas na maioria, irresistíveis, cada uma a seu modo. Me fascina a dedicação feminina ao preparar-se para uma festa. Elas se fazem sensuais seja nos vestidos esvoaçantes de sugestões, nas minissaias promissoras, que mais revelam do que ocultam encantos, nas blusas de decotes pecaminosos ou nas calças astuciosamente obscenas. Juntamente com a cabeleira tratada com esmero, as unhas decoradas e a maquiagem que realça belezas naturais, tais cuidados são o arsenal de conquista de um exército de deusas e aprendizes em uma guerra de ocupação. Neste embate, os homens são presas fáceis. Quem disse que o macho é o conquistador da espécie desconhece as artimanhas de uma mulher quando o assunto é sedução. O combate é desigual. O melhor é relaxar e gozar (apud Marta Suplicy).
Os machos não se dão tanto trabalho, quando muito ostentam uma camiseta mais ou menos nova, uma calça de brim folgada com os fundilhos caídos, deixando à mostra a cueca, e uma elaborada engenharia capilar, que pode ser apresentada na forma de trancinhas, criativos caminhos de rato no couro cabeludo ou um topete arrepiado embebido em gel despontando no centro da cabeça. Extravagante. (Neste quesito não posso criticar, já que minha opção, determinada em grande parte pela genética, é pelo mínimo de cabelo - corte 1, quando não zero).
A qualidade musical decaiu muito. Nada de Jorge Benjor ou Tim Maia, para citar algumas das balançantes presenças obrigatórias do meu tempo. Só reconheci duas músicas: uma do Gil e outra do Cazuza. Ah, e a Ivete Sangalo também (o que não serve de consolo). Mas é preciso dar um desconto, afinal tratava-se de um bailão. Nesta área, aparentemente, o xodó do momento é a dupla Vitor & Léo. Desconheço quem seja.
A destreza dos dançarinos, bonita de ver, me intimidou, já que nesta arte sou um mambembe, incapaz de executar com um mínimo de graça e leveza o clássico dois pra lá dois pra cá, quanto mais o frenético arrasta-pé exigido por um vanerão.
Porém, como já disse em outra ocasião, na minha história não saber bailar não é impedimento para dançar. Quase ao fim da festa deixei de ser um observador privilegiado para tornar-me um participante ativo. Uma dama galega (como eles chamam aqui) me seqüestrou, dançou, encoxou, beijou, agarrou, bolinou e me deixou. Fiz a alegria da sua noite e ela a minha. Seguindo a regra dos cavalheiros de educação refinada, omito detalhes. Digo apenas que senti-me um objeto sexual.
Gostei.
***
Beijos estalados, moçoilas. Abraços sóbrios, peralvilhos
.

Estudantadas


Toda a gangue estava mal em Física. Às notas oscilavam entre zero e cinco, de um total de dez. Estudava no Padre Reus e estava no último ano do segundo grau. Uma providência urgente e radical se fazia necessária, sob o risco de reprovação em massa. O que fazer? Uma revolução, diria Vladimir Illitch Ulianov, o Lênin. Não fomos tão longe.
- Vamos roubar a prova – sugeri, na qualidade de líder natural e inconteste (eventuais contestadores recuavam diante do embate físico que teriam que travar para assumir o meu posto).
A proposta foi apoiada entusiasticamente.
- Coisa de gênio.
Julinho e Renato foram os encarregados de roubar a prova na sala dos professores. A Zélia e a Rejane foram escaladas para distrair o Diabo Loiro – o professor da matéria – durante a operação. Impossível ficar indiferente a elas: a primeira tinha peitos grandes e coxas estupendas; a segunda uma voz doce e um jeito ingênuo (era uma Filha de Maria, que só aderiu ao plano por medo da repetência).
Depois do êxito da missão, democraticamente decidimos o seu aproveitamento. Para não despertar suspeitas, o mentor (eu) e os quatro operadores de campo eram os únicos com autorização para obter a cobiçada nota máxima. Os demais deveriam se contentar com alguma coisa entre sete e nove. Cada um levou uma cópia da prova para resolver em casa. A minha quem fez foi o cunhado Beto, prestes a se formar em engenharia elétrica, um craque dos números e fórmulas.
Todos desprezaram a determinação de metas, isto é, a nota que cada um deveria tirar. Todo mundo apostou no dez. Não houve sanção aos transgressores. É difícil seguir regras quando se está com a corda no pescoço e eu era um líder compreensivo, até certo ponto.
O Diabo Loiro percebeu que havia sido enganado, mas não podia provar. Assim, teve de ouvir calado a observação cínica do Wilsinho:
- Porra, estudamos pra caralho. Valeu à pena.
No final do ano, passamos todos. Com louvor.
***
Por hoje é só, turma.
Beijos, gatinhas. Abraços, pãozinhos.
(Torçam para que faça bastante sol esta semana. Na quarta-feira contarei as aventuras do findi: praia e bailão).

Na ilha da magia


Desde o final do ano transferi a base de operações para Floripa, a ilha da magia. Tecnicamente, minha estadia não pode ser classificada como férias, já que continuo exercendo atividade laboral. Pela manhã pesco na web matérias sobre arbitragem de futebol para, depois de reescritas, publicar no site do Safergs (aqui), sempre citando a origem, naturalmente. Eventualmente tenho que atender alguma solicitação do meu associado Moah, que está em POA (mordendo-se de inveja) gastando a sola dos sapatos atrás das fontes das matérias para a próxima edição do nosso vibrante mensário Marca da Cal. À tarde, praia e gostoduzuldas. À noite, MPB, drogas (todas lícitas!) e sexo (por enquanto um sonho bom e molhado).
Porém, o que importa, sobretudo, é a predisposição para a vagabundagem, fazer o mínimo indispensável e observar com dedicação as beldades à beira-mar com suas coxas grossas, bumbuns arrebitados e maiôs floridos (é, eu sou do tempo do maiô, ou maillot).
***
Tenho dois sobrinhos-netos. A sapeca e sabe-tudo da Ana Clara (três anos) e Chandler (nove), o às no vídeo game e terror da passarinhada. Fiz do garoto meu protegido, o herdeiro das baixarias que mantêm a fama dos baguais pampeanos. Comovido, constatei que meus ensinamentos foram assimilados; de cada dez palavras pronunciadas pelo infante, três não podem ser publicadas num blog familiar como este. A quarta e a quinta são saudáveis e vigorosos "porra!" Cinco em dez é uma boa média. Agora, estou ensinando a nobre arte de fazer arapuca pra pegar passarinho. Infelizmente, a temporada de caça alada só começa na primavera. As aves cantantes não perdem por esperar. Dizem, o pai (meu sobrinho Alexandre) e os avós (mana Rosa e cunhado Beto). que estou desencaminhando o menino. Bobagem, estou é formando um guasca dos bons e inaugurando uma tradição familiar.
***
Estou me transformando em um homem barril. Faço cinco refeições por dia, contando com o lanchinho antes de dormir. Cheguei com 70 quilos. Estou com 73. Como os ursos, estou armazenando energia para o inverno, isto é, o retorno ao lar, quando normalmente faço duas refeições diárias. Assim, sobrevivo.
***
Estou escrevendo no meu bloco de anotações na tarde de quarta-feira, na Barra da Lagoa (foto lá em cima). Uma beldade de corpo maduro e formas sinuosas , generosamente expostas em um biquini branco – coxas que me remetem diretamente à idéia de paraíso -, me olha com curiosidade sob os óculos escuros. Vislumbro um esboço de sorriso, estabeleço contato visual (também estou de óculos protetores) e mostro os dentes. Ela se aproxima e diz "oi". Respondo com um "oi, tudo bem?" e encerro as anotações. A paixão está no ar. O lobo vai caçar. ***
Beijos, gurias. Abraços, guris.
Bom findi.
Pra cima com a viga!
***
Up date: deu certo, encestei!, por assim dizer. Amo cada vez mais a praia e, principalmente, as mulheres. Não me peçam detalhes de alcova. Pode não parecer mas, além de bagual, também sou um cavalheiro.

Feliz Aniversário


Fiz aniversário em dezembro. Adivinhem onde fui comemorar? Confiram aqui.

Vida nova

Tenho poucos projetos para 2009. São desejos simples, adequados a um sujeito de índole humilde como eu: diminuir o consumo de tabaco (na impossibilidade de eliminá-lo por completo); aumentar substancialmente o conúbio carnal com as fêmeas da espécie (um desejo que se repete anualmente, sem que seja alcançado); enriquecimento fácil e rápido. Quanto a este último, abandonei definitivamente qualquer prurido ético ou moral: quero ganhar uma bolada de qualquer jeito, seja legal ou não. No primeiro caso, poderia acertar a mega-sena sozinho ou receber uma herança. No entanto, como não jogo e não tenho parente milionário, ao menos que seja do meu conhecimento, é improvável que estas hipóteses legalistas se concretizem. Assim, resta a senda do crime, isto é, o enriquecimento ilegal. Confesso que acalento o sonho de um dia ser apontado pela vizinhança não como um sujeito de hábitos estranhos como andar nu dentro de casa, falar sozinho na rua ou espiar as vizinhas de binóculo durante as tardes modorrentas da capital dos bravos do Sul. Quero ser visto como um homem de negócios de sucesso, um self-made man.

***
- Aquele ali não é o Jens?
- O próprio. Um tremendo corrupto.
- É mesmo?
- Humhum. Está riquíssimo. Ganhou uma bolada aplicando um golpe no governo. Foi preso pela PF mas comprou um habeas corpus na lojinha do STF. Está sendo processado pelo Ministério Público.
- Putz, que inteligência privilegiada. Isto é que é homem, e não aquele traste do Paulo Maurício.
- Ah se o Felipe Augusto tivesse a mesma iniciativa...

***
Serei apontado na rua, alvo da admiração das crianças.
- Manhê, quando crescer quer ser um ladrão de colarinho branco que nem o seu Jens.
- Muito bem meu filho. Assim é que se fala. Adroaldo Alberto, ouviste o que teu filho disse?
- Hehehe, claro. Este guri vai longe.

***

Serei igualmente idolatrado pelos machos.
- E o Jens, hein?
- Pois é, deu um golpe e tanto. Coisa de milhões. E saiu livre.
- Bah, que inveja. É um gênio da raça.

***

Estou trabalhando com afinco para tornar meu sonho realidade. Este ano, tudo vai ser diferente.

***
Feliz Ano Novo, divinas damas e gentis cavalheiros.
Pra cima com a viga. Beijos e abraços para todos.

***
Ah sim: Ano Novo, vida nova e casa nova. O UOL estava dando muito problema e não me deixou alternativa que não fosse o divórcio. Aqui agora é o meu esconderijo.


Powered by Blogger