As monjas e o anjo


Deu tudo errado. A minha intenção de ficar alheio aos festejos de Momo, recolhido em silêncio e oração, não vingou. Tão logo cheguei na Ilha da Magia, no sábado passado, fui seqüestrado por um grupo terrorista, levado para um local ermo, incerto e não sabido, e submetido a uma série de sevícias de natureza sexual. O grupelho, denominado Monjas Sensuais, é adepto de liberação sexual total, selvagem, ampla, geral, irrestrita e responsável (com camisinha, ainda bem). Foram três dias de suplício, prazer intenso, muito álcool, samba no pé e alimentação precária. Nunca mais voltarei a ser o que era. Acredito que o mesmo aconteça com o anão besuntado em azeite de oliva e a ovelhinha depilada que foram meus companheiros de martírio, também contra a vontade.
Fui libertado no final da manhã de terça-feira. No início da noite cheguei no meu castelo, esbodegado física e mentalmente. Por sorte, Odaléia, minha doce e prestativa vizinha (retratada acima pela Betim Timm) estava à minha espera com uma lata de Redbull, que não foi suficiente para repor as minhas energias. Preocupadíssima, o anjo da minha vida comprou mantimentos e uma injeção de vitamina B12 que recuperou parcialmente o meu vigor físico e a sanidade mental, permitindo que escreva estas rápidas linhas.
Foi também a doce Odáleia que insistiu para que eu prestasse queixa às autoridades competentes acerca do seqüestro. Não foi uma boa idéia. O policial a quem o caso foi relatado riu e pediu o endereço das Monjas. Igualmente insensível, Valdirão, o energúmeno, marido de Odaléia, zombou do meu calvário, qualificando-me como um “mariquinha” e também manifestando desejo de cair nas mãos das celeradas.
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Como sempre acontece depois de um feriadão, abri a caixa de emails e imediatamente fui preso pelos grilhões das obrigações laborais, a saber: entrevistas, matérias para o site e o jornal, textos para revisar e outros penduricalhos. Estou atrolhado de trabalho.
Maldito capitalismo.
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Beijos, belas. Abraços, belos. Que os deuses do céu e das matas derramem suas bênçãos sobre nós. Eu estou precisando.
Eia!, Sus! Arriba! Pro alto e avante.
PS: ainda falta muito pro feriadão de Páscoa?

Retiro espiritual


Aviso aos navegantes que durante os festejos de Momo ficarei em um mosteiro de propriedade dos monges beneditinos, localizado em uma praiazinha idílica no litoral da região metropolitana de Florianópolis. Trata-se da praia das Palmas, um pequeno pedaço do paraíso na Terra, onde aproveitarei os dias de folia para meditar e orar pelo bem da humanidade em geral e, em particular, por vocês, meus amigos reais e virtuais. Espero, com a força da minha fé, contribuir para debelar a crise econômica que ora nos açoita e aflige.
Ide, cantai, sambai e frevai, irmãs e irmãos.
Que Momo os receba de braços abertos no seu reino lúbrico. Que Baco os proteja. Não digam não aos excessos exigidos pela carne, mas cuidado com o fígado.
Em silêncio e oração, meus pensamentos estarão com vocês.
Beijos castos. A quem sobreviver, até quarta-feira.

O triunfo da alegria


Eu parecia o corcunda de Notre Dame quando entrei no ambulatório.
- Qual o problema? – perguntou, bem humorada, a enfermeira.
A Deusa morena que me acompanhava, explicou.
- A gente estava brincando em frente à Catedral. De repente ele sentiu um estalo na coluna e ficou assim.
Eu também me manifestei.
- Ai, ai, ai... Vou morrer.
A enfermeira gentilmente discordou.
- Foi só um espasmo muscular. Vou aplicar uma injeção e em cinco minutos vai passar.
Ao ouvir a palavra injeção esqueci momentaneamente a dor.
- Vai doer? – indaguei assustado.
- Não, é só uma picadinha.
Puxei a manga da camiseta, fechei os olhos e ofereci o braço para a picada.
Ana Néri recusou a oferta.
- Na nádega, no braço vai doer mais.
(Continua aqui)

Numa terra estranha




Uma das melhores coisas da minha vida foi aprender a ler e escrever. Quando pequeno, lia tudo o que me caia nas mãos, até mesmo as crônicas do Nélson Rodrigues que eram publicadas na falecida Folha da Tarde (tinha apenas sete anos; por isto sou assim, propenso a desvarios). Então, li meu primeiro livro: As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Foi amor à primeira vista. A literatura entrou na minha vida para não mais sair. Desde então, me tornei um leitor compulsivo.
Mas o livro inesquecível, a obra que me marcou e que até hoje releio, foi Numa Terra Estranha, de James Baldwin. Foi o primeiro livro “adulto” que li aos 13 anos, recomendado pelo meu cunhado Beto. Foi uma porrada intelectual.
Baldwin, negro, homossexual assumido (numa época em que esta condição não era encarada com a naturalidade de hoje) conta a história dos deserdados de New York – músicos, desocupados, aspirantes a escritores, mulheres mal e bem amadas. Fala de racismo, violência amor, paixão, ódio, inveja e claro, sexo. A vida bate e rebate naquelas páginas. “Porra, além de tudo tem sacanagem”, exultei à época, com as mãos frementes e os olhos excitados.
Nunca mais fui o mesmo. A partir daí deixei de ser guri. Durante um bom tempo acalentei o desejo de ser escritor. Por falta de talento e necessidade de ganhar (mal) a vida, virei jornalista.
Não tem outro jeito, vivo das palavras e assim morrerei.
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Este texto faz parte da blogagem coletiva O Livro da Minha Vida, proposta pela Vanessa, do Blog Fio de Ariadne.
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Beijos escandalosos, lindas. Abraços comportados, rapazes.
Pra cima com a viga que o Carnaval vem aí.

A canção da aldeia



Quando perguntaram a Leon Tolstói qual a fórmula para seduzir os leitores, ele respondeu: “se queres ser universal, começa por cantar a tua aldeia”. Os aldeões do Palimpnóia não têm a pretensão de escrever um novo Guerra e Paz (ingenuamente eu tinha, aos 20 anos), mas querem cativar a sua atenção. Saiba onde, quando, como e por que clicando aqui.
Beijos, meninas. Abraços, guris. Boa semana pra todos nós.

Passeio noturno


Desde que retornei das férias sou conhecido pela vizinhança como “O eremita do 204” ou, de acordo com o apodo cunhado pelos infantes, “O coroa maluco” – isto porque nas raras ocasiões em que circulo pelas ruas do bairro tenho o costume de falar sozinho, além de esgueirar-me pelas paredes sempre que passo perto de um estabelecimento comercial. Além da escassez de recursos monetários para o lazer, estou atolado em dívidas junto ao comércio local. Perdi a vergonha, mas ainda mantenho um aguçado instinto de preservação que me permite saber que desculpas (“o pagamento ainda não saiu”) e protelações (“pago na semana que vem”) não mais convencem o pequeno empresariado. É a crise.
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Felizmente, mesmo nestes tempos duros existem pessoas sensíveis, capazes de olhar com carinho para os desvalidos da sorte. Pois foi uma alma assim (feminina, naturalmente) que pegou-me pela mão dois atrás e me proporcionou um tour etílico-gastrômico pela Cidade Baixa, um dos circuitos fashion da boemia da cidade. Aproveitei a ocasião para fazer a segunda e a terceira coisas que mais gosto: observar os nativos em seu habitat natural e forrar o pandulho com iguarias finas concomitantemente hidratando o lado de dentro do corpo com doses consistentes da bebida mais antiga do mundo, aquela feita a partir da fermentação do lúpulo e da cevada. Empanturrei-me.
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Abre parêntesis. Por solicitação explícita da mesma, não revelarei o nome da minha benfeitora. “Se publicar o meu nome naquela pocilga que chamas de blog, te processo”, advertiu-me a bela e determinada advogada. Não sei dizer não ao pedido de uma deusa, ainda mais quando feito com meiguice e sutileza, como foi o caso. Fecha parêntesis.
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O ser humano não é perfeito. Se fosse, deveria, como o urso, ter a capacidade de, nos tempos de fartura, armazenar alimento para que o organismo utilizasse nos tempos de penúria, conforme a necessidade. Com o que comi e bebi na última quarta-feira, estaria garantido por um mês. Durou apenas dois dias. Neste quesito, o Criador falhou.
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Falando em comida, registro o encontro com a Princesa Ane e o seu Príncipe Consorte. Conheci-a no ano passado (acho). Primeiro na blogosfera (clique aqui e confira o humor mordaz da jovem realeza), depois pessoalmente, num encontro marcado igualmente por louvores a Pantagruel. A Princesa continua bela e formosa, sem perder a ternura, o bom humor e o apetite voraz. Um encanto, o casal.
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Fiz este relato para que sirva de alento àqueles espíritos atormentados diante das perspectivas sombrias que se descortinam no horizonte (“Este será um ano delicado e perigoso”, alertou Luiz Inácio recentemente). Na impossibilidade de hibernar como o urso (ele, de novo) e só acordar em 2010, espero que os leitores menos aquinhoados pela sorte sintam-se reconfortados em saber que pelo menos um da turma (no caso, eu) eventualmente se dá bem. A Toca também é auto-ajuda.
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Um único senão: não fiz a primeira coisa que mais gosto de fazer na vida (aquela mesma que a querida leitora e o preclaro leitor estão pensando). Fazer o quê? Nem tudo é perfeito.
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Buenas, mais um fim de semana. Divirtam-se, garotas. Aproveitem, rapazes. Se estiverem solitários, me convidem pra sair.

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Quer saber de uma novidade legal? Clica aqui.

Notícias do paraíso


O surto de romantismo passou. Bagual que é bagual não tem tempo pra estas coisas. Assim cá estou de volta ao meu tema preferido: eu.

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Nos dias em que fiquei afastado da blogosfera, por insensibilidade das companhias de luz e telefônica (vermes malditos! A vingança será minha) fui mimoseado com manifestações de apreço e amizade. Enternecido, agradeço à Tathi e à Lola pelo selo Olha que Blog Maneiro e à Beti Timm, que já foi a soberana do meu castelo, pelo Até que Enfim um Blog de Qualidade. Thanks, garotas, eu não mereço. Bobagem, mereço sim. Valeu!

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A campanha de solidariedade não deu resultado. Arrecadei 8,45 reais, duas fichas de ônibus, 1 lata de leite em pó recheada de areia, 1 par de tênis furado e 1 calça de brim de grife indefinida rasgada nos joelhos e no traseiro. Têm a minha gratidão os que doaram a grana e os vales-transporte. Encaminhei os demais itens para os necessitados do bairro. Sou assim, uma alma boníssima.

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Como é público e notório, não sou homem de me afrouxar diante de momentâneas vicissitudes da existência. Assim, radicalizei no enfrentamento da crise econômica. Coloquei meu corpo à venda. Ofereci-me inicialmente como prestador de serviços sexuais mediante módica remuneração. Não deu certo. Lobos de meia idade, calvos e obesos estão em baixa no mercado. Bagual dos bons, fui em frente e coloquei no balcão de negócios a possibilidade de compra de partes distintas do meu organismo, para fins de transplante, clonagem, experiência médica, oferenda, ou presente de aniversário. Consegui vender um rim e obtive boas ofertas pelo “Colosso de Ébano” (estas, recusadas). Já recebi a grana, satisfiz a sanha dos credores e ainda não entreguei o rim, o que, segundo o contrato, deverá acontecer somente no segundo semestre (se até lá alguém conseguir me encontrar, hehehe...).

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Beijos incandescentes para as moças. Abraços circunspectos para os moços.

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Boa semana pra todos nós. Pra cima com a viga!


Os velhos olhos azuis em Casablanca


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Hoje, estou romântico demais. Totalmente demais. O clown volta amanhã. Ou depois.
Boa semana pra todos nós.

O Salvador da Pátria


Por pouco, muito pouco mesmo, não fui emasculado. Quem me salvou foi o Velho. Confira aqui.
Bom findi a todos.

Crise!


Estou puto cara com o presidente Lula. No final do ano passado, ele classificou a crise econômica mundial como uma “marolinha” e, otimista, conclamou a nação a gastar seus trocados e fazer do 25 de dezembro de 2008 um Natal como nunca foi feito neste país.
Como sou crédulo e também otimista na maior parte do tempo, além de patriota em tempo integral, não hesitei em aderir à convocação presidencial, pois o que estava em jogo era manter a pujança da nossa economia. Assim, muni-me das minhas vultosas posses monetárias, amealhadas durante um ano de trabalho duro, e embarquei para Flopis de férias, disposto a fazer deste um verão inesquecível. Depois do Verão do Amor e do Verão da Lata, o Verão da Esbórnia.
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Aqui, um parêntesis. Alguém ainda lembra do Verão da Lata? Foi em 1988. Para fugir das garras da lei, o comandante de um navio desovou no mar a sua carga criminosa de latas de cannabis sativa, que durante todo aquele verão apareceram nos mais diversos pontos da costa brasileira, para alegria dos então “magrinhos” e muitos loucos em geral. Eu vi, nadei, peguei e fumei. Mas não traguei. Fecha parêntesis.
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Voltando à esbórnia. Fui fundo na gastança. Menos pelo prazer da orgia e mais pela consciência da necessidade de irrigar a economia nacional com os meus recursos financeiros, contribuindo assim para a manutenção do nível de emprego, da arrecadação de impostos e da alegria do empresariado.
É claro que as notícias sobre o acirramento da crise no planeta deixaram-me, em fugazes momentos, apreensivo. Não sou, ainda, um lorpa completo (chegarei lá). Porém, pensei, caso as previsões oficiais não se confirmassem, sempre poderia contar com o ombro amigo dos banqueiros ou dos cofres públicos. Ferrei-me. Como relatei no post abaixo, ambos me deixaram na mão (mais especificamente, a mão direita, a veneranda Dona Palmita de La Mano).
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O bardo inglês estava certo: ninguém vive a delícia dos extremos impunemente.
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Assim, com os bolsos vazios, revivo a dor e opróbrio que acompanham os momentos de escassez financeira. Não vou relatar aqui os infortúnios morais pelos quais estou passando. Apenas digo que isto explica o meu momentâneo afastamento da blogosfera. A sobrevivência é a minha prioridade.
Diante disto, estou lançando uma campanha de arrecadação de fundos em benefício próprio. Aceito qualquer quantia e também alimentos não perecíveis, roupas e tênis de grife (camisa G, calça 42, tênis 41). Conto com a solidariedade dos amigos
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Beijos tristonhos, generosas damas. Abraços desesperados, gentis cavalheiros.

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