Em pé de guerra

Por razões de natureza laboral e emocional (mais aquela, menos esta) esta semana vou estar ausente, combatendo em outras trincheiras. Assim, não vou desfrutar do convívio agradável com as amigas amadas e os amigos preclaros. Enquanto isto, estou aqui no Palimpnóia, destilando seriedade, pessimismo e mau humor. De vez em quando acontece. Coisas da vida.
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Boa semana – e sorte – para todos nós. Beijos e abraços generalizados.
Pra cima com a viga, moçada.

Uma mulher de classe

Numa época em que se louva a independência econômica e emocional conquistada pelas mulheres, Fernanda Sampaio, a titular do blog “Mãe... e muito mais” não teme remar contra a maré e proclamar orgulhosamente a sua condição de esposa e mãe. Porém, incorrerá em erro quem imaginar que é conformada esta mulher nascida há 42 anos na localidade de Guimarães, Portugal, mãe de dois filhos (Duarte, 7 anos, e Letícia, 6). Ela cultiva inquietações que a fazem manter um blog atualizado semanalmente, onde expressa suas preocupações sociais, interesses culturais e estimula o exercício concreto e cotidiano da solidariedade. Vale a pena dar uma chegadinha no Palimpnóia e conhecer um pouco a vida e as opiniões de Fernanda, esposa dedicada, mãe amorosa e mais, muito mais...
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Beijos, damas. Abraços, cavalheiros. Bom findi e boa leitura.

Urucubaca

Faz 1 mês que estou tomando banho frio. O chuveiro pifou. Comprei um novo e solicitei à minha secretária eventual e musa em tempo integral, a Marisinha, que procedesse a devida instalação.
Calma, não se trata de exploração do trabalho feminino. O problema é que sou uma nulidade quando o assunto é pequenos consertos de natureza doméstica (a última vez que tentei colocar um prego na parede fraturei um dedo). Além disto, a possibilidade de contemplar suas coxas a partir de um ângulo privilegiado – ela no alto da escada e eu embaixo – era extremamente agradável para não ser explorada.
De fato, a visão daquelas pernas divinamente torneadas foi paradisíaca, mas o trabalho deixou a desejar. Ela tomou um choque e, pior, o chuveiro voltou a queimar.
Persistente – bagual dos bons não se entrega assim no mais – comprei outro chuveiro e recorri aos préstimos, igualmente sem custos, da vizinha do 202, dona Célia, que é metida a fazer este tipo de conserto. Chegou decidida, com uma caixa de ferramentas debaixo do braço. Avaliou situação, fungou, pigarreou, cuspiu no vaso, ajeitou o cigarro no canto da boca e vaticinou:
- É moleza. Deixa comigo que eu resolvo.
Não resolveu. Mais choque e mais prejuízo, desta vez sem nenhum consolo visual.
Com as finanças depauperadas, recorri aos préstimos do meu anjo da guarda, Odaléia, minha doce e prestativa vizinha. Solícita como sempre, ela não apenas comprou, com recursos próprios, uma Ducha Lorenzetti, como ficou de fazer a instalação hoje à noite. Tem jogo na tevê e, nestas ocasiões, Valdirão, o energúmeno com quem ela casou, vai pro Bar do Alemão se entupir de cerveja enquanto assiste ao prélio com aquela súcia de beberrões que ele chama de “meus camaradinhas”. Distante da fera, teremos tranqüilidade para proceder a delicada operação elétrica.
Depois, se tudo der certo, vamos usufruir do resultado do seu (dela) trabalho. Juntinhos e molhadinhos.
Cruzem os dedos.
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Beijos expectantes, gurias. Abraços ajuizados, guris.
Pro alto e avante!

Um dia quase perfeito

Não fiz nada de útil no domingão. O telefone tocou meia dúzia de vezes. Não atendi. Dediquei-me, quando acordado, à prática de um dos meus esportes favoritos: assistir tevê deitado no sofá.
A propósito, faço questão de registrar meu agradecimento ao sujeito que inventou o controle remoto, o artefato que revolucionou meu cotidiano. Com um destes,
e um frigobar devidamente abastecido ao alcance da mão, sou capaz de ficar horas (talvez dias!) sem sair do sofá. Sou um sujeito de hábitos simples.
Vi um monte de porcarias na tevê. Várias delas ao mesmo tempo, pulando de canal graças ao aparelhinho mágico.
Por mais que tentasse, não consegui deixar de assistir algo edificante intelectualmente. No caso foi o filme A Mosca, aquele em que o cientista maluco interpretado pelo Jeff Goldblum paulatinamente se transforma em um repulsivo inseto voador. Especialmente nojentas são as cenas em que ele perde nacos do corpo (orelhas, dentes, olhos, mandíbula) e expele uma baba branca e viscosa. Repugnante. Muito legal.
A moral da história é simples e conformista: não queira ser mais do que você é; as consequências podem ser monstruosas.
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O único senão do dia foi a falta de cerveja no final da tarde. Pior ainda: no domingo meu fornecedor não faz entrega à domicilio. Saco! O mundo não é perfeito.
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Assim, descansado, estou pronto para mais uma semana de labuta intensa. Espero que vocês também.
Boa semana pra todos nós.
Beijos, divinas damas. Abraços, galantes cavalheiros.
Arriba!


Hoje é dia de homenagem a uma grande amiga. Ela está completando seis (ou sete) anos de presença intensa na blogosfera. Diz na sua ultima postagem que vai dar um tempo na escrita. Duvido. Trata-se de uma amante exacerbada das palavras e do ato de escrever. Com vocês, ela:

Euza Loba, um claro enigma

É uma temeridade tentar defini-la. Ela não é apenas uma mulher. Nela habitam várias personas, de acordo com as situações que a vida coloca diante de si. Durante um único dia ela pode ser a Deusa, a Empresária, a Capitu, a Combatente Social, a Amiga, A Escritora, a Mãe, a Esposa, a Professora e a Avó. Sua idade? Bobagem querer saber. Além de não ser elegante questionar uma dama a este respeito, ela vive alternadamente o tempo da criança peralta, da adolescente rebelde e curiosa, do adulto responsável e da maturidade sábia. Ela é assim, multifacetada.
Por mais que alguns apaixonados tentem lhe atribuir origem divina, ela é, sim, deste mundo. Nasceu entre as montanhas de ferro de Minas Gerais, em uma cidadezinha qualquer nos arredores de Itabira, a cidade do poeta Drummond (um dos seus amores literários, ao lado de Clarice Lispector). Mas o interior mineiro não era o palco adequado para a formação e o crescimento de uma personalidade assim tão exuberante. “Fui para Belo Horizonte com dois anos e de lá só saí em 2004”, revela. O caminho de volta não foi feito sem uma atenta reflexão. “Confesso que resisti muito antes de optar voltar para o interior. Mas a proposta de mudança de vida era tentadora, resolvi apostar”. Hoje mora em Lavras que ainda não é um retrato na parede, mas uma “tela sendo pintada” com esmero, audácia e alegria de viver.
O nome de batismo, Euza Procópio Noronha, apesar da sonoridade, não remete à nenhuma aristocracia mineira, embora sua árvore genealógica tenha frutos vindos de vários países como África e Rússia. É filha e neta de artistas e ativistas políticos, de quem herdou o olhar agudo e o permanente desejo de aprender e informar-se sobre as coisas do mundo. O prenome, incomum, tem origem em uma sólida amizade. “Segundo minha avó, Euza era o nome da melhor amiga da minha mãe. Parece que foi uma homenagem a ela”. Como acontece não raras vezes, a escolha materna trouxe incômodos à filha, especialmente na adolescência. “Quando adolescente, eu detestava. Exatamente por ser um nome diferente e porque poucas pessoas sabiam pronunciá-lo. A maioria lia `Elza´ . Eu morria de raiva!! Algumas chegavam ao absurdo de pronunciar `Eúza´. Eu odiava!!!”, conta divertida.
Aprendeu a ler aos cinco anos, para sorte dos seus leitores do futuro. “Comecei a ler muito cedo e por conta deste livro: Os mais belos contos de Andersen. Este foi o primeiro de uma coleção de histórias infantis, escritas por grandes autores, que fui ganhando aos poucos. A literatura foi paixão imediata e para a vida toda. Li e reli O pequeno Polegar, O soldadinho de chumbo, O patinho feio e muitas outras histórias que jamais saíram da minha memória”, relembra encantada. A partir daí as janelas de um mundo novo se abriram para Euza, que entrou no universo mágico e atormentado de Dostoievski, Gorki, Stendhal, Machado, Rosa e outros, mas onde reina soberana e inconteste a instigante Clarice.
Foi uma menina tímida, não por conta de algum acontecimento externo – “acho que nasci tímida mesmo”, confessa. Por conta disto, tornou-se seletiva. As portas do seu mundo particular só se abriam para quem tinha alguma afinidade com ela. Nesta época, nasceu o ódio ao preconceito, quando o avô mulato apareceu na escola de elite – uma das mais tradicionais de Belo Horizonte – onde ela era bolsista. Quando descobriu que a cor da pele do avô fazia diferença para algumas coleguinhas, não hesitou – descartou-as do seu convívio de imediato. Logo em seguida foi estudar no Colégio Estadual, então a melhor e maior instituição educacional de Minas e trincheira de resistência à ditadura militar. Aí ela se encontrou, tanto pela diversidade dos alunos quanto pela orientação dos professores.
Adolescente, Euza se rendeu ao poder da flor. Aos 16 anos virou riponga e foi morar em uma comunidade hippie. No entanto, era muita paz e muito amor para uma personalidade inquieta como a dela. “Eu queria agitação, outros desafios”, conta. Assim, sempre fiel aos seus desejos, voltou ao Colégio Estadual e foi à luta. Literalmente. Nos anos 70 entrou de coração e mente na luta contra os gorilas que então (des)mandavam no país. Ela viveu – e vive – intensamente todos os movimentos políticos e comportamentais do seu tempo.
Euza crescia e escrevia, sempre, sem parar, em verso e prosa (é uma escritora compulsiva). Gestava, sem saber, a Loba doce e selvagem que a tantos encanta na blogosfera.
Já estabelecida, casada e com filhos, Euza nunca abandonou a inquietude que ainda hoje a leva a conhecer e experimentar coisas novas. Por isto, previsivelmente, a internet despertou o seu interesse. Quando surgiu a blogosfera, ela foi uma das primeiras a navegar na rota recém descoberta. Primeiro como Gata, depois, definitivamente, como Loba. Mas deixemos que ela, que tem intimidade com as palavras, conte esta história.
“Quando conheci a Net, nos tempos em que ela ainda era um bebezinho e a tela do computador era negra com letra verdes, fui chamada de Gata. Mas eu nunca gostei de gatos - são lentos e passivos demais! Coincidentemente, havia ganhado o livro Mulheres que correm com Lobos e me apaixonei por La Loba - o arquétipo da mulher selvagem. Virei Loba. Naquele momento, muito mais a Loba Romana. À medida que me tornava uma frequentadora assídua de uma determinada sala de bate-papo, ia me transformando também na loba irreverente, sedutora e predadora. A blogosfera foi apenas a continuidade da minha disposição de conhecer e interagir com os mais variados tipos de pessoas. Mas com muito mais prazer, já que sou apaixonada pela escrita.”
Não só pela escrita Euza-Loba é apaixonada. O mais correto seria dizer que é apaixonada pela vida. Ela poderia, como o galês Publio Terêncio, bater no peito e dizer: “nada do que é humano me é estranho”.
Euza é uma mulher vital. Já a Loba pode ser letal, para os marinheiros não acostumados às procelas da paixão. Conhecer e conviver com Euza-Loba é fascinante, mas não é uma trilha para cavaleiros descuidados. Como a Esfinge, ela desafia: decifra-me ou te devoro.
Quem se habilita?

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Beijos, gurias. Abraços, guris. Bom findi

O homem de vermelho

Nos anos 50, contam os antigos, o terror dos endividados era o Homem de Vermelho (assim, reverencialmente em letras maiúsculas). Quer saber porquê? Clica na imagem abaixo.



Notícias do reino encantado

Fofos e fofas:
Sou eu, Marisinha.
Como é a primeira vez que compareço na Toca, a nova morada do Jens, (eu era
habitué do blog antigo, a Trincheira), e tem muita gente nova por aqui, vou me apresentar mais uma vez. Sou estudante de comunicação na Famecos/PUC e secretária eventual do Jens (função não remunerada, diz que a experiência de trabalhar de graça para ele vai enriquecer meu currículo). Também sou a musa inconteste não só da turma que se reúne no Bar do Alemão, como também do coração do meu amado chefinho. Ele diz que sou gostosa, coxoduzulda. Não discordo. Ele é apaixonado por mim e eu por ele. No entanto, é uma paixão platônica. Até o momento.
***
Bem, vamos ao que me trouxe à presença prestigiosa de vocês. O chefinho Jens mandou avisar que não vem hoje. Telefonou no início da noite de domingo e pediu-me para assumir interinamente o blog.
- Estou física e mentalmente esbodegado – disse ele com a voz pastosa. Ouvi um risinho de mulher ao fundo.
Candidamente perguntei:
- O que tu tá fazendo? A Odaléia taí?
- Não seja indiscreta. Segura as pontas e cuida da tua vida – respondeu com seu jeitinho meigo.
A última vez que o vi foi no fim da tarde de sábado, apreciando a despedida do sol às margens do Guaíba, em Ipanema, bebendo um chopinho e petiscando em companhia da Odaléia, sua doce e prestativa vizinha. Prestativa demais, eu diria. Na ocasião fiquei sabendo que Valdirão, o energúmeno com quem ela se casou, foi “pescar” e só volta na noite de hoje, segunda-feira. Assim, eles aproveitaram para passear e, à noite, iriam se dedicar a uma maratona cinematográfica.
- Vamos assistir um monte de filmes antigos. Conseguimos alugar até Casablanca e O Vento Levou – informou Odaléia, com os olhinhos escuros brilhando de excitação.
Hummm...

Após o telefonema, conclui que o festival de cinema foi tão animado que se estendeu por todo o domingo. Como sou uma moça discreta e não gosto de falar da vida alheia, sigo adiante.
***
Foi bom o Jens ter tirado uma folga. Não gosto do que ele vem escrevendo ultimamente. Reclamei.
- Pô, tu só pensa em sexo?
- Não. Penso também em dinheiro – respondeu com sinceridade, mastigando um sanduíche de queijo que eu havia preparado (entre minhas tarefas está a de cuidar, ocasionalmente, da sua alimentação).
***
Eu penso em sexo, festas, dinheiro e, de vez em quando, nos estudos. Ah, e em política também. Neste aspecto, estou puta da cara com o Legislativo e o Judiciário. O Executivo não. Adoro o Lula - tão engraçadinho, tão bonzinho, tão fofinho - e a Dilma, mulher classuda e durona.
O Congresso é aquilo que se sabe, uma tropa de sem vergonhas, como diria sucintamente Seu Antonio, pai do chefinho amado. Ali o chicote pode ser aplicado indiscriminadamente, sem medo de injustiças. Todos merecem.
Já o chefão do Judiciário me faz lembrar do Cesare Lombroso, aquele cientista italiano que dizia que é pela cara que se conhece quem é do mal. Gente, o que é o Gilmar Dantas, ops, Mendes? Basta olhar para a cara do infeliz para ver de que material ele é feito. Parece o Al Capone. O Daniel Mendes, ops, Dantas, é outro que tem cara de songamonga inútil. Imprestáveis, os dois, para ações que visem o bem da coletividade.

Estou exagerando? Não tô nem aí. Como Oscar Wilde, acredito que só um tolo não se deixa levar pela primeira impressão.
Eu tinha mais pra falar, mas este troço está ficando muito extenso e eu vou levar uma bronca, pois o amado chefinho não gosta que se trate de política aqui – “sou pobre mas não sou podre. Sou limpinho; a Toca não é uma pocilga”, costuma dizer.
Então, fui.
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Beijos provocantes e abraços insinuantes para eles e elas, hihihi...

Boa semana pra todos nós.

Meu destino é pecar


Às vezes – raramente, reconheço – sou um sujeito realista. Em relação ao destino de minha alma, por exemplo, não acalento grandes ilusões: suspeito que já tenha um lugar reservado no reino de Belzebu. Não na tribuna de honra para onde irão os banqueiros bandidos, os magistrados do mal, os jornalistas venais e outros personagens do mesmo naipe criminoso. Acho que a minha cadeira cativa se localiza na arquibancada, junto com a galera que abusou dos pecados da carne. E não estou me referindo a picanha, maminha ou costela gorda.
Comecei cedo a caminhada na trilha do sexo sem fronteiras. Minha primeira incursão foi no reino vegetal. Apaixonei-me perdidamente por Naná, uma bananeira que me atiçava a libido com seus atrativos sensuais no fundo do quintal da casa na rua Mário de Andrade, em Ipanema. Criativo desde a infância, fiz um buraquinho no meio do tronco macio de Naná e assim consumei minha ardente paixão. Saudades.
Também sinto o coração flechado de nostalgia quando penso em Mimosa e Maricotinha, soberbos exemplares do reino animal. A primeira, uma formosa vaquinha; a segunda, uma espevitada galinha garnisé. Como ambas deixaram descendentes (não da minha lavra) não revelarei, a conselho de meus advogados, aspectos do nosso conúbio carnal. Sou um cavalheiro e, também e principalmente, tenho medo de um processo.
Mais tarde, já taludinho, conheci o J... ops, melhor parar por aqui, em nome da moral e dos bons costumes.
Só depois de já iniciado na senda das extravagâncias sexuais, fui informado que era um pecador contumaz, condenado às profundas do inferno. O portador da má notícia foi o padre Antonio, durante as aulas de catecismo. Depois da primeira comunhão, decidi me redimir. Assim, durante 1 ano rezei todas as noites um rosário completo antes de dormir, além de frequentar a missa das 10 todos os domingos (fui até coroinha). Meu objetivo era conquistar o perdão e conseguir um lugar num cantinho do Paraíso.
Infelizmente as exigências da carne falaram mais alto e voltei a pecar. Continuo até hoje, temperando momentos pecaminosos com ações de puro amor e bondade para com o próximo, meu semelhante, meu irmão.
Minha esperança é conseguir uma boquinha ao menos no Purgatório. Mas estou descrente. No rumo em que estão as coisas, acho que não vai dar. Sou um sujeito realista, às vezes.
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Beijos estalados, beldades. Abraços comedidos, latagões.
Já que o fim é inevitável, façam como eu: divirtam-se no findi.
Pro alto e avante!

Aiô Silver


A primeira vez que vi fiquei apavorado. Não, o pavor veio depois. A primazia foi da incredulidade. “É montagem. Não pode ser verdade”, foi o pensamento que ocorreu na minha mente juvenil e impressionável (continua assim até hoje). No entanto, um exame mais acurado confirmou que não se tratava de um artifício engendrado pelas artes de um fotógrafo talentoso. Era de fato uma obra de natureza. Uma sacanagem de Deus para com os demais machos da espécie humana.
A razão do meu estarrecimento adolescente era Daniel Arthur Mead, conhecido no mundo das produções pornográficas como Long Dong Silver, a lenda. Com as mãos trêmulas, eu compulsava freneticamente uma revistinha sueca toda ensebada (eca!).
Abre parêntesis. Na época, os gloriosos anos 70, as revistas de sacanagem eram divididas em duas categorias: os catecismos de Carlos Zéfiro e as “suecas”, editadas em papel couché, com fotos coloridas e escritas em inglês, depois traduzidas. Fecha parêntesis.
O cara tinha um... ãh... hum... como direi?. Ah, dane-se o pudor, somos todos adultos (tá certo, nem todos são desbocados como eu). Long Dong exibia uma jeba de 45 centímetros de comprimento! (O diâmetro, aparentemente não interessou os pesquisadores do, este sim, fenômeno). Era um troço descomunal. Coisa de cavalo, jumento.
Nunca vi nenhum filme protagonizado por ele. Nem quero, pois assistí-lo certamente acentuará meu sentimento de inferioridade (17,975 centímetros segundo a última aferição do Inmetro - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). Não preciso disto. Mas vi fotos e li as histórias que as acompanhavam. Na época me deixavam excitado, fazendo com que interrompesse a leitura três ou quatro vezes para prestar vassalagem no altar de Onã. Relembrando, é impossível resistir ao riso. O cara descrevia suas proezas sexuais milimetricamente: “introduzi 20 centímetros, depois acrescentei mais 8,6. Ofegante, ela queria mais. Atendi o seu desejo: mais 5,2.” Creiam, isto me deixava em ponto de bala, o que talvez ajude a explicar porque eu sou assim, freak. Hoje, penso no sofrimento das suas (dele) parceiras, empaladas vivas. Brrr...
Somos estranhos, nós, os humanos (os homens em particular). Também nunca entendi como o sangue necessário à ereção irrigava o tecido cavernoso sem que ele desmaiasse ou tivesse um dano cerebral permanente.
Segundo a Wikpédia, Long Dong Silver nasceu em 20 de abril de 1960, nas Bermudas, se aposentou em 1987 e hoje em dia vive no sudoeste da Inglaterra. A mesma fonte, depois de registrar elegantemente que ele se “notabilizou por possuir um pênis fora dos padrões convencionais em termos de tamanho”, informa que após a aposentadoria veio à tona o fato de que se trataria de uma prótese que ele vestia por cima de seu membro. Melhor assim. Os machos da espécie agradecem. As fêmeas respiram aliviadas. Tamanho não é documento.
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Beijos garotas, abraços, rapazes.
Depois de uma semana bem comportado – em reverência ao Dia da Mulher – estava doido pra escrever sacanagem. O resultado está aí.
Pra cima com a viga!!! (Viga? Hummm...).

Eles


Final de domingo. Encontrei a turma no Bar do Alemão, a minha toca fora do castelo.
- Acabou? – perguntou o Jorjão, contumaz barranqueador de éguas, campônio humilde vindo do interior.
- Quase. Não agüento mais – respondeu o Caloca, intelectual orgânico, adepto das idéias de Leon Trostky, eterno desempregado por convicção ideológica (“é a minha forma de protestar contra o sistema”, costuma dizer o membro do lumpen-proletariado).
- Foi um dia que durou uma semana. Não sei como elas conseguem fazer estas coisas com a gente.
Caloca entornou o martelo com a batida de côco, temperou com um gole de cerveja e sentenciou:
- Mulher é foda. Mas é bom. Vocês imaginam que fui visitar a minha mãe e quase pensei em arrumar um emprego, só pra agradar minha amada Rosineide?
Eu e Jorjão entreolhamo-nos. A paixão finalmente fisgou o intelectual.
- Pior eu, que tive que tomar banho e sair pra passear com ela – queixou-se o Jorjão, antes de dar uma bicada na aguardente de cana importada pelo Alemão dos mundialmente famosos alambiques de Santo Antônio da Patrulha. – Esta é da boa, decretou estalando os beiços.
Foi a vez de trocar um olhar cúmplice com o Caloca. Afinal, o Jorjão não tem mulher. Vive amasiado com uma égua tordilha chamada Mansinha. O camponês percebeu a zombaria silenciosa e protestou:
- Pra mim ela é como se fosse uma mulher. É a minha “senhôura” – esclareceu amuado.
Acariciei o copo bojudo de cristal, sacudi levemente para ouvir o barulho das pedras de gelo e, reverente, degustei o uísque de milho feito no Tennessee
pelo coronel Jack Daniel´s e vindo diretamente do Paraguai especialmente para deleitar o meu paladar refinado. Revelei meu sacrifício.
- Fiquei uma semana sem escrever sacanagem. Nem sequer um mísero “porra” eu teclei. Mais grave ainda, limpei as dependências do castelo e troquei a roupa de cama. Tudo por ela, que não apareceu. Foi pra praia com o Valdirão.
Suspiramos. Ah, as coisas que as mulheres nos obrigam a fazer.
- Mas elas merecem – disse o Caloca, categórico.
- E como! – corroborou o campônio.
Concordei em silêncio.
O lumpen estava entusiasmado.
- Acho que ainda dá tempo. Afinal, todo dia é dia delas. Vamos fazer?
Fizemos. Pedimos mais uma rodada e brindamos:
- Às deusas – ergui o copo.
- Às mulheres – o Caloca bateu o copo no meu, por pouco não violando a integridade do cristal lapidado da Bavária.
- A elas – completou o Jorjão.
O mundo é das mulheres.
***
Beijos, moças. Abraços, moços.
Boa semana pra todos nós. Arriba!

Bete Balanço

Durante certo tempo fui casado. Não lembro quanto – alguma coisa entre 15 e 20 anos. Casei, oficialmente, perante a lei dos homens, em 1981. Quem me escolheu foi dona Elisabete, conhecida nas quebradas da blogosfera como Beti Timm. Nosso amor teve que enfrentar escaramuças vis, artilharia pesada e pular algumas cercas de arame farpado. A união de um Deus de Ébano com uma Deusa Ariana não era vista com naturalidade naquela época. Foi um bom combate que vencemos com alegria e determinação de viver naturais a dois jovens com um punhado de sonhos na cabeça.
Um dia, percebemos que a paixão havia acabado, ou melhor, desvaneceu-se nas brumas do cotidiano. Foi bom, evidentemente com os altos e baixos inerentes a uma relação desta natureza. Mas era hora de seguir outros caminhos. Como cantou o poeta de Orós, “minha vida só é vida porque sei que ela vai ser sempre apaixonada”. Os versos valem para ela e para mim. Assim, partimos para vôos solos, sem desatar os laços que não deveriam ser rompidos. Foi-se a amante, a fêmea, a mulher (ela nunca foi a “a minha senhôura”, ainda bem). Permaneceu a amiga, a parceira e, claro, a mãe dedicada da Mari Timm, a mais ajuizada do clã (nem tanto, pois escolheu ser jornalista como o pai).
8 de março, Dia Internacional de Mulher, também é o dia do aniversário dela. Assim, um brinde: tintim! Valeu a vida vivida, Bete Timm.

***
Às demais Deusas, abraços carinhosos e beijos entusiasmados. Obrigado por existirem.
Vamos lá, rapazes, como nos tempos de colégio: Salve 8 de Março, Dia Internacional da Mulher!


Elas


Quem me concede o privilégio da sua atenção já percebeu que sexo – e o prazer que ele proporciona, quando se concretiza em troca, parceria e cumplicidade – é um componente fundamental nos caminhos que tracei – e traço – nas quebradas do meu mundaréu.
Mas em se tratando de mulher tem mais, muito mais, infinitamente mais.
Confira o que é este mais clicando aqui, no Palimpnóia.

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