Hehehe...
Entre meus confrades do Bar do Alemão sou considerado um privilegiado. “Consegue ganhar a vida sem fazer força, aliás, nem precisa sair de casa. Passa o dia juntando letrinhas. Até a grana vem por computador. Coisa de gênio”, comentam às minhas costas, sem esconder a admiração.Não é bem assim. O que meus camaradas não sabem é que o labor intelectual é muitas vezes mais duro que o trabalho físico, exigindo persistência, denodo, astúcia e aprimoramento constante. Neste último quesito estou enfrentando dificuldades.
Confesso, com uma ponta de vergonha, que ainda engatinho na trilha aberta pela mais nova reforma ortográfica. Sou um sujeito conservador, quando se trata do idioma pátrio, tanto que recém superei o trauma causado pela reforma de 1971 (sim, crianças, esta é a terceira alteração nas regras do jogo ortográfico. A primeira foi em 1943).
Reluto em abandonar o trema, não tenho a mínima idéia do que fazer com o hífen e meus olhos cansados são por demais sensíveis para contemplar o atentado terrorista representado pela nudez capilar de certas palavras como ideia ou plateia.
Assim, combaterei na trincheira até dezembro de 2012, data para a rendição inapelável. A partir de então, terei de retornar aos bancos escolares.
Abre parêntesis. Depois da reforma de 71, em que também foram suprimidos alguns acentos, eu e meus sequazes do Ginásio Padre Réus radicalizamos e abolimos por completo a acentuação. Diante da reclamação das mestras, respondíamos com a ingênua sabedoria juvenil: “Ué, fessora, o acento não caiu?” Nem todos, nos ensinaram as notas vermelhas nas provas de redação (sim, crianças, naquele tempo elas, as notas de reprovação, existiam, juntamente com a possibilidade de repetir o ano caso não fosse obtida a média mínima – 5 ou 7, não lembro mais. Analfabetos funcionais não alcançavam a diplomação em nenhum estágio escolar, ao contrário de hoje, quando, graças a máfia togada do STF, podem até ser jornalistas. Fecha parêntesis.
Outra fonte de angústia é o internetês, a nova língua que surgiu na esteira da popularização da comunicação através da www. Sou inepto no uso de hieróglifos modernos (ou pós, como queiram) como kd, naum, vc, qd y quejandos. Incomoda-me particularmente a inabilidade para encaixar um ou dois rs ou um estrondoso e bem humorado kkkkkkk no meio de uma conversa virtual. O máximo que consigo é um constrangedor hehehe, geralmente manifestado em hora imprópria. Neste admirável mundo novo, sou um analfabeto.
Como os dinossauros, caminho para a extinção. Garbosamente, of course.
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Beijos, meninas-moças. Abraços, valentões.
Boa semana pra todos nós. Pra cima com a viga!
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