Acabou, enfim. Não me refiro a 2009, mas, especificamente, à temporada festiva do final de ano. Particularmente, foi um período estranho – nem alegre nem triste. Ao contrário de anos anteriores, não fui para a casa da mana Rosa em Floripa. Imperativos de natureza laboral impediram o deslocamento. A permanência na capital dos gaúchos, temporariamente transformada em sucursal do inferno, em razão da canícula inclemente, acentuou o sentimento de solidão que convive comigo. Esta sensação de abandono fez com que atravessasse os últimos dias dividido entre e a euforia e a melancolia, a arrogância e a autopiedade.
Na verdade, nunca estive só. No Natal, aniversário e Ano Novo, além da presença física da ex Bete Timm e da herdeira Mariana (nos dois últimos eventos a Rainha Preta declarou forfait; escafedeu-se para Garopaba em companhia de Alexandre, seu Cavaleiro Andante), tive a companhia e o afeto de amigos distantes e virtuais através de comentários aqui na Toca ou mensagens enviadas através de email – além de telefonemas especialmente gratificantes. A todos, thanks.
Mesmo assim me senti só. Esquisito, né?
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Papai Noel não trouxe a minha Jacuzzi. Apesar de frustrado, entendo a ausência. Na última vez em que apareceu na vizinhança foi confundido com um assaltante e quase levou chumbo quente. Além disso, soube que Caloca e seus sequazes pretendiam roubar o bom velhinho. O plano era deixá-lo nu e amarrado nas areias de Ipanema, vender os presentes aos comerciantes locais por preços módicos, transformar o trenó em lenha para fazer uma fogueira na qual seriam assadas as renas, numa grande festa comunitária de final de ano.
Para quem ainda não sabe, informo que o Caloca é um intelectual orgânico eternamente desempregado por convicção ideológica. Sobrevive às custas de achaques e da mesada que recebe da mãe. Tentou tingir a sua intenção nefanda com as cores nobres do socialismo, argumentando tratar-se de um ato político contra um símbolo do capitalismo malsão.
Para ele “Papai Noel não passa de um maldito vendedor”. Diante do meu ceticismo, revelou, em off, seus verdadeiros objetivos: “embolsar uma bufunfa legal e fazer uma churrascada com carne de rena”.
O Caloca é um intelectual de formação trotkista. Depois de saber das motivações mesquinhas que o levaram a elaborar o plano sinistro, começo a considerar que talvez Josef Stalin não estivesse assim tão errado na sua ojeriza aos seguidores do criador do Exército Vermelho. Meu reino por uma picareta! (Piadinha política de gosto duvidoso; só para velhos dinossauros da esquerda).
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Minhas resoluções de ano novo são duas:
- Não me queixar tanto da vida (o que vai exigir um grande esforço, já que ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudeleire. Ó vida, ó dor).
- Engordar 10 quilos no mínimo (no máximo 15). Estou pesando ridículos 60 quilos – o mesmo de 40 anos atrás, quando era carinhosamente chamado pelas meninas de “Bolo Fofo”.
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Meus desejos para 2010 são dois:
- Trabalho, trabalho, trabalho. (Neste aspecto, nuvens plúmbeas ameaçam toldar o horizonte. Tóctóctóc! Juntem seus pensamentos positivos aos meus para evitar que o pior aconteça).
- Saúde, muita saúde (especialmente pra mãe, Dona Arminda. A propósito, ficaria grato se aqueles entre vocês que tem o costume de rezar, a incluíssem nas suas orações).
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Então tá, começou tudo de novo. A gente continua se vendo por aí.
Que as coisas deem certo para todos nós em 2010.
Beijos, garotas. Abraços, rapazes.
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Pra cima com a viga, moçada!
(PS: quinta-feira o bicho vai pegar. Vou denunciar aqui um escroque que atua na blogosfera. Caso de polícia).