Carta a uma amiga que ama o Rio
Nos últimos dias, através de email, conversei muito com uma amiga que ama o Rio de Janeiro. Com o objetivo (não alcançado) de aliviar os seus temores, escrevi a carta abaixo.
Oi minha querida, aflita e indignada amiga.
Algo está mudando no Rio de Janeiro e, como em todo o processo de mudança, há os que se opõem a ele com o objetivo de preservar o seu status quo. É o caso dos traficantes que atuam nos morros cariocas.
Referenciando um texto de autoria de um professor da UFRGS: "como é que um país tão rico como o nosso tem só deixado como opção para estas pessoas a função social de desempregados-empregados-do- varejo-de-drogas? Ninguém vai me convencer que o jovem negro e favelado prefere morrer antes dos vinte anos vendendo “buchinhas” e “petecas” de pó do que ter uma vida digna como cidadão".
Há, no entanto, quem não esteja disposto a refletir sobre esta questão. São aqueles que preferem fomentar mais ódio. "Eles tem uma raiva brutal de você e de mim", anotou a colunista Bárbara Gancia em artigo publicado na Folha de S. Paulo.
E a recíproca, cara pálida, não é verdadeira? Qual a proposta, então: um enfrentamento ao pôr do sol e que vença o mais forte?
Uma análise intelectualmente honesta (para alguns justiceiros empedernidos é pedir demais, eu sei) obrigatoriamente teria que tecer algumas considerações a respeito do papel educacional da mídia na formação destes jovens marginais, ao dar guarida e repercutir de forma acrítica, quando não entusiasmada, comportamentos repugnantes, como a coisificação feminina - a glorificação vulgar de bundas e peitos - e, até mesmo, não desaprovar totalmente a violência contra a mulher (do tapinha que não dói à porrada no rosto é apenas uma questão de impulso). Quando falo em mídia incluo programas de mau gosto, tipo Pânico na TV , Super Pop, Casseta & Planeta, entre outros, e aquelas merdas de publicações que falam a respeito dos "famosos".
Na minha avaliação, querida amiga, a principal raiz que dá vida a este negócio sórdido do tráfico, em todo o Brasil, é o consumidor. É em busca do precioso dinheirinho dos drogados que o Rio está em convulsão. Acredito que quem consome é tão criminoso como quem trafica.
A solução? Não sei, mas sei que enquanto existir procura haverá oferta, não importa quantas UPP´s sejam criadas ou quantos traficantes sejam executados.
Liberar as drogas de vez? É possível que esteja aí a solução, quem quiser se matar, mate-se.
Os drogados são doentes? Então o tratamento adequado talvez seja a terapia da bordoada, como feito em Passo Fundo (cidade do interior do RS) até recentemente, antes da intervenção da turma dos direitos humanos. Gostaria de ver celebridades de porra nenhuma, artistas, socialites e "cidadãos de bem", entre os quais destacados políticos e jornalistas (que clamam pela paz vestindo camisetas brancas nas passeatas em Copacabana), levando uns tabefes na cara e assumindo responsabilidades e encarando as consequências do seu vício.
Uma análise intelectualmente honesta (para alguns justiceiros empedernidos é pedir demais, eu sei) obrigatoriamente teria que tecer algumas considerações a respeito do papel educacional da mídia na formação destes jovens marginais, ao dar guarida e repercutir de forma acrítica, quando não entusiasmada, comportamentos repugnantes, como a coisificação feminina - a glorificação vulgar de bundas e peitos - e, até mesmo, não desaprovar totalmente a violência contra a mulher (do tapinha que não dói à porrada no rosto é apenas uma questão de impulso). Quando falo em mídia incluo programas de mau gosto, tipo Pânico na TV , Super Pop, Casseta & Planeta, entre outros, e aquelas merdas de publicações que falam a respeito dos "famosos".
Na minha avaliação, querida amiga, a principal raiz que dá vida a este negócio sórdido do tráfico, em todo o Brasil, é o consumidor. É em busca do precioso dinheirinho dos drogados que o Rio está em convulsão. Acredito que quem consome é tão criminoso como quem trafica.
A solução? Não sei, mas sei que enquanto existir procura haverá oferta, não importa quantas UPP´s sejam criadas ou quantos traficantes sejam executados.
Liberar as drogas de vez? É possível que esteja aí a solução, quem quiser se matar, mate-se.
Os drogados são doentes? Então o tratamento adequado talvez seja a terapia da bordoada, como feito em Passo Fundo (cidade do interior do RS) até recentemente, antes da intervenção da turma dos direitos humanos. Gostaria de ver celebridades de porra nenhuma, artistas, socialites e "cidadãos de bem", entre os quais destacados políticos e jornalistas (que clamam pela paz vestindo camisetas brancas nas passeatas em Copacabana), levando uns tabefes na cara e assumindo responsabilidades e encarando as consequências do seu vício.
A propósito, um dos mais furibundos criticos do governo trabalhou em um grande jornal gaúcho. No fechamento do diário, do qual era um dos manda-chuvas, quando alguém perguntava: cadê a coluna do fulano?, a resposta era sempre a mesma: pergunte ao pó. Hoje, o pulha é colunista de uma revista de circulação nacional. Não o li, nem vou ler, mas imagino que esteja cuspindo fogo, responsabilizando a tudo e a todos - principalmente o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral - pelo inferno carioca. Entre uma carreira e outra, naturalmente.
Por fim, é o caso de nos perguntarmos, como sugeriu alguém no blog do Nassif: "o hedonismo desenfreado de classes mais abastadas – cujo exemplo emblemático recente é o do advogado famoso flagrado fumando crack no meio da rua – deve ser tratado como opção individual que não ofende a sociedade, ou deveria ser tratado como ofensa grave, com rigor, pois possibilitaria a militarização os traficantes?"
Temo não ter contribuído para te acalmar. Fazer o quê? O problema não é apenas do Rio de Janeiro. É de todos nós, brasileiros.
Por fim, é o caso de nos perguntarmos, como sugeriu alguém no blog do Nassif: "o hedonismo desenfreado de classes mais abastadas – cujo exemplo emblemático recente é o do advogado famoso flagrado fumando crack no meio da rua – deve ser tratado como opção individual que não ofende a sociedade, ou deveria ser tratado como ofensa grave, com rigor, pois possibilitaria a militarização os traficantes?"
Temo não ter contribuído para te acalmar. Fazer o quê? O problema não é apenas do Rio de Janeiro. É de todos nós, brasileiros.
Beijo triste.
***
Damas e cavalheiros, beijos ainda tristes e inquietos.
Mesmo assim, pra cima com a viga!









