Carta a uma amiga que ama o Rio


Nos últimos dias, através de email, conversei muito com uma amiga que ama o Rio de Janeiro. Com o objetivo (não alcançado) de aliviar os seus temores, escrevi a carta abaixo.

Oi minha querida, aflita e indignada amiga.

Algo está mudando no Rio de Janeiro e, como em todo o processo de mudança, há os que se opõem a ele com o objetivo de preservar o seu status quo. É o caso dos traficantes que atuam nos morros cariocas.
Referenciando um texto de autoria de um professor da UFRGS: "como é que um país tão rico como o nosso tem só deixado como opção para estas pessoas a função social de desempregados-empregados-do-varejo-de-drogas? Ninguém vai me convencer que o jovem negro e favelado prefere morrer antes dos vinte anos vendendo “buchinhas” e “petecas” de pó do que ter uma vida digna como cidadão".
Há, no entanto, quem não esteja disposto a refletir sobre esta questão. São aqueles que preferem fomentar mais ódio. "Eles tem uma raiva brutal de você e de mim", anotou a colunista Bárbara Gancia em artigo publicado na Folha de S. Paulo. 
E a recíproca, cara pálida, não é verdadeira? Qual a proposta, então: um enfrentamento ao pôr do sol e que vença o mais forte?
Uma análise intelectualmente honesta (para alguns justiceiros empedernidos é pedir demais, eu sei) obrigatoriamente teria que tecer algumas considerações a respeito do papel educacional da mídia na formação destes jovens marginais, ao dar guarida e repercutir de forma acrítica, quando não entusiasmada, comportamentos repugnantes, como a coisificação feminina - a glorificação  vulgar de bundas e peitos - e, até mesmo, não desaprovar totalmente a violência contra a mulher (do tapinha que não dói à porrada no rosto é apenas uma questão de impulso). Quando falo em mídia incluo programas de mau gosto, tipo Pânico na TV , Super Pop, Casseta & Planeta, entre outros, e aquelas merdas de publicações que falam a respeito dos "famosos".
Na minha avaliação, querida amiga, a principal raiz que dá vida a este negócio sórdido do tráfico, em todo o Brasil, é o consumidor. É em busca do precioso dinheirinho dos drogados que o Rio está em convulsão. Acredito que quem consome é tão criminoso como quem trafica.
A solução? Não sei, mas sei que enquanto existir procura haverá oferta, não importa quantas UPP´s sejam criadas ou quantos traficantes sejam executados.
Liberar as drogas de vez? É possível que esteja aí a solução, quem quiser se matar, mate-se.
Os drogados são doentes? Então o tratamento adequado talvez seja a terapia da bordoada, como feito em Passo Fundo (cidade do interior do RS) até recentemente, antes da intervenção da turma dos direitos humanos. Gostaria de ver celebridades de porra nenhuma, artistas, socialites e "cidadãos de bem", entre os quais destacados políticos e jornalistas (que clamam pela paz vestindo camisetas brancas nas passeatas em Copacabana), levando uns tabefes na cara e assumindo responsabilidades e encarando as consequências do seu vício.
A propósito, um dos mais furibundos criticos do governo trabalhou em um grande jornal gaúcho. No fechamento do diário, do qual era um dos manda-chuvas, quando alguém perguntava: cadê a coluna do fulano?, a resposta era sempre a mesma: pergunte ao pó. Hoje, o pulha é colunista de uma revista de circulação nacional. Não o li, nem vou ler, mas imagino que esteja cuspindo fogo, responsabilizando a tudo e a todos - principalmente o presidente Lula e o governador Sérgio Cabral - pelo inferno carioca. Entre uma carreira e outra, naturalmente.
Por fim, é o caso de nos perguntarmos, como sugeriu alguém no blog do Nassif: "o hedonismo desenfreado de classes mais abastadas – cujo exemplo emblemático recente é o do advogado famoso flagrado fumando crack no meio da rua – deve ser tratado como opção individual que não ofende a sociedade, ou deveria ser tratado como ofensa grave, com rigor, pois possibilitaria a militarização os traficantes?"
Temo não ter contribuído para te acalmar. Fazer o quê? O problema não é apenas do Rio de Janeiro. É de todos nós, brasileiros.
Beijo triste.
***
Damas e cavalheiros, beijos ainda tristes e inquietos.
Mesmo assim, pra cima com a viga!

3666, a besta

Em 1982 concorri a vereador pelo PT. Era a primeira eleição disputada pelo Partido. Vigorava então a Lei Falcão: a propaganda na tevê só permitia que fosse exibida a foto, o número e um breve currículo do candidato, anunciados por uma voz grave e impessoal.
Olívio Dutra (3) era candidato a governador, o atual deputado estadual Raul Pont  era candidato a senador (30), o arquiteto e presidente do IAB-RS Clóvis Ilgenfritz postulava uma vaga na Câmara Federal, meu amigo, irmão e camarada José Luiz Carneiro Cruz (o bom e radical burguês) foi para o sacrifício na condição de deputado estadual (3170). Eu, o escriba genial, ambicionava a vereança, sob a marca da besta (3666).
As bandeiras do partido eram Terra, Trabalho e Liberdade. Empunhei a última – 3666, o Voto da Liberdade. O pai me ajudou a colar cartaz, quando me ataquei das bichas no meio da campanha e pensei em desistir (“tu é um homem ou uma coca-cola? Tem que ir até o fim”). Não me elegi, mas não fiz feio - 792 votos vindos não sei de onde, minha família não é tão numerosa assim.
Éramos a turma dos barbudinhos, comunistas e comedores de criancinhas, no sentido literal (pedofilia é com o clero). Eu o Olívio não nos encaixávamos no figurino – ele apenas com o farto bigode; eu há muito renunciara a barba estilo Abe Lincoln (desde que li uma observação de Millôr, segundo a qual este negócio de enfeitar a cara é coisa de mulher. Sou bagual, pô!).
Na época estava recém casado com a Bete Timm, mãe da Rainha Preta, amiga e parceira até hoje. Juntos, organizamos a festa de lançamento da minha candidatura, no apartamento em que morávamos na rua Riachuelo. No lado de  fora da porta, a título de boas-vindas, pregamos uma bandeira do Brasil, substituindo o “Ordem e Progresso” por “Terra, Trabalho e Liberdade”. Tiramos os móveis da sala, decoramos as paredes com posters de Guevara, Lênin, Marx e da Revolução Sandinista, preparamos os petiscos (sanduíches de presunto e queijo e azeitonas que o Olívio enfiava goela abaixo como se fossem jujubas), turbinamos os drinques, uma mistura de vodka Natasha com leite condensado; mais da primeira e menos do último. (“Forte”, comentou o candidato a governador). A cerveja foi comprada no decorrer da festa, com a contribuição dos convidados. Às duas horas da matina aconteceu a solenidade oficial de abertura. Proferi um discurso ponderado e elegante, manifestando meu compromisso com os ideais da classe trabalhadora e a determinação de “botar no rabo desta cambada de burgueses cornos e filhos da puta”. Fui vivamente aplaudido. Lembro que Bete Timm estava empolgada: “é isto aí, amorzinho, vamos f... com estes porras! O povo, na rua, derruba a ditadura!”
Iniciou-se, então, o sarau, com a execução do Hino da Internacional Comunista seguido do Hino do Rio Grande – ambos acompanhados por uma plateia atenta e enternecida. A seguir, Caetanos, Miltons, Lins, Gonzaguinhas e, naturalmente, Vandré, até chegar à pièce de résistance, “Apesar de Você”, do Chico. Eram quase quatro horas e os convivas, emocionados, seguiram aos berros a canção. Foi aí que a campainha tocou.
Atendi e, à primeira vista, pensei que os dois visitantes eram membros desgarrados da tribo revolucionária. Fiquei espantado quando se identificaram como policiais. Antes que eu pudesse berrar “Abaixo a repressão!”, o Ricardo tapou a minha boca e ordenou para a Bete: “tira ele daqui”. O Ricardo, codinome Colono, era o meu melhor amigo naquela época. Em razão disto foi escolhido para ser o padrinho da Preta Timm (que, a propósito, estava sob os cuidados de vô Antonio e vó Arminda na mansão de Ipanema). Meu compadre também integrava os quadros dos órgãos mantenedores da ordem pública. Era inspetor de polícia na fase do noviciado. Negociou com seus pares. A vizinhança reacionária, em especial os moradores do andar abaixo do nosso, estavam reclamando do barulho, como se um cidadão de bem e seus amigos não pudessem dançar, pular e cantar às quatro da madrugada.
Depois de uma rápida assembléia, os que defendiam a resistência, entre eles eu (“só saio daqui morto!”), foram derrotados pelos pragmáticos (“amanhã é outro dia, a luta continua”). Os últimos a abandonarem o forte foram o Edu, o Maninho, o Milton e, claro, o Colono, companheiro até o fim. Acompanhei-os até a frente do prédio, onde execramos o autoritarismo e exaltamos o socialismo: “abaixo a ditadura! Pelas liberdades democráticas!”
Retornei ao lar e... bem, só posso dizer que as liberdades democráticas venceram. Na manhã seguinte, às 9 horas o caminhão da mudança estacionou em frente ao prédio e, para gáudio da vizinhança, abandonei o ninho. Ao contrário do que possa parecer, não dei as de Vila-Diogo. A mudança estava previamente agendada. A data da festa não foi escolhida por acaso.
Posso ser um porralouca, mas não sou completamente insano.
***
Beijos vermelhos, damas. Abraços socialistas, cavalheiros.
Aos que estão padecendo no inferno carioca, meu apoio espiritual e a minha solidariedade intelectual. Que a civilização vença a barbárie!

Pra cima com a viga!

Fiandeiras do destino

No final da manhã da primeira sexta-feira de novembro, dia 5, Noemi Schevitz da Costa, 68 anos, era uma mulher feliz. Acabara receber a notícia de que havia vencido a luta de seis anos contra um câncer de mama. Ao sair do Hospital Santa Rita, no centro de Porto Alegre, em companhia do marido, Álvaro José da Costa, uma alegre Noemi fazia planos para o futuro – possivelmente uma viagem à capital baiana para comemorar o restabelecimento e, ao mesmo tempo, saciar a saudade do filho Dener, que mora em Salvador. Recém havia ligado para o rebento para contar a boa nova quando a copa de um coqueiro, pesando cerca de cem quilos, se desprendeu de uma altura de 12 metros e atingiu a idosa. Ela foi socorrida e conduzida ao Hospital de Pronto Socorro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta da 17 horas do mesmo dia. Foi sepultada no sábado. O marido de Noemi, Álvaro, de 74 anos, estava ao lado da vítima e não se conformou com o acidente que tirou a vida da companheira de 50 anos de casamento: “Como isso pode acontecer? Dentro de um hospital, uma copa de árvore cair na cabeça de uma pessoa. E ela havia lutado tanto para viver”, indignou-se.
Com a palavra as Moiras, Fiandeiras do Destino. A vida dói e por vezes não tem sentido. Estranho o senso de misericórdia dos deuses. Ou seria só uma manifestação bizarra de humor?
***
Justiça dos homens - "Meu filho é menino!" A primeira vez que li esta frase, mancheteada em um cartaz pregado no portão de uma simpática residência de dois andares localizada numa das ruas adjacentes ao castelo, julguei tratar-se da celebração pública da chegada de um novo súdito do reino. A Rainha Preta Mari Timm, recomendou cautela: “hummm, aí tem...” Na semana passada, três meses depois, ficou evidente que minha herdeira estava certa (meu reino não perecerá comigo!). O cartaz, desbotado, continua no mesmo local. O que eu pensava ser uma manifestação de júbilo é, na verdade, um recado aflito, a tentativa desesperada de uma mãe abandonada para sensibilizar um pai relapso. Até agora está clamando no deserto. Sou um déspota esclarecido e também cruel quando necessário. Assim, fui pessoalmente investigar o caso. Obtive o nome e descobri os locais frequentados pelo sacripanta (este tipo de canalha não tem endereço fixo). Diguinho, o verdugo não oficial do reino – a partir de 100 paus resolve qualquer problema definitivamente –, ficou encarregado de localizar e repatriar o genitor ausente. Por bem ou por mal.  
Sigo a orientação do Deus do Velho Testamento, não tolero injustiça.

Beijos messiânicos, deusas. Abraços apocalípticos, cavalheiros.
Pra cima com a viga!

Imagem: Diego Velazquez.

O presente da serpente


- Puta merda, que baita cobra!
- Pula, vai dar o bote!
- Dá uma pedrada na cabeça!
E tome pedra e paulada. A serpente se enroscava, ziguezagueava, pulava, recuava e avançava, até receber um golpe. Então ficava rastejando à espera da execução, geralmente uma paulada ou tijolada que esmigalhava a cabeça. Depois espetávamos o cadáver na ponta de um pau e saíamos a exibir o troféu para a vizinhança. Naquele tempo eram raros os defensores do meio ambiente. Lembro apenas da lendária Dona Palmira Gobbi, ferrenha defensora dos animais – gatos, cachorros e cavalos especialmente (era uma inimiga mortal dos carroceiros desalmados). Assim, jovens guerreiros, na ante-sala da delinquência juvenil, reinávamos soberanos pela ruas, vielas, becos, matos, matinhos e taquareiras  de Ipanema.
***
Interlúdio romântico
- Vamos no matinho?
- Fazer o quê?
- Brincar de índio. Eu sou o Flecha Ligeira, tu o Raio de Sol.
- Hummm, não sei não...
- Vai ser legal. A gente faz de conta que é casado. Eu saio pra caçar e tu faz a comidinha...
- Então tá. E a Lili (boneca de louça) é a nossa filhinha, a Estrelinha da Manhã.
- Tá. E ela quer um irmãozinho, o Lobinho Valente.
- Bacana. Vamos lá.
A gente ia, mas não ia até o fim. Naquele tempo tinha a temida FEBEM e não tinha o compreensivo ECA.
Mesmo assim, saudades do matinho.
***
Sempre tive medo de víboras. Suspeito que seja herança de Seu Antonio, o homem magro que escolheu ser meu pai. Ele não tinha medo, tinha pavor. Contava que, quando menino, foi perseguido algumas dezenas de metros por uma cobra que serpenteava com a fronte erguida (este detalhe, suspeito, um exagero elaborado por uma mente infantil em pânico). As aulas de catecismo do Padre Antonio e da irmã Teresinha, onde a serpente representava o Mal, também contribuíram para vitaminar o meu temor em relação aos seres rastejantes.
***
No entanto, é preciso reconhecer que a humanidade tem um débito impagável com as serpentes. Explico: de acordo com a Bíblia, no Gênesis, no início dos tempos Adão e Eva viviam no Jardim do Éden em perfeita harmonia com a natureza, tinham ao alcance da mão tudo o que necessitavam para sua sobrevivência. Ou seja, não precisavam fazer nada que não fosse se divertir. Até que um dia, pérfida, a serpente ofereceu a Eva o fruto proibido da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. O Criador ficou furioso (o Deus do Velho Testamento é rancoroso) expulsou os dois do Paraíso, estabelecendo novas bases para a continuidade da espécie: “Tu, Adão, ganharás o pão com o suor do teu rosto. E tu, Eva, com dores parirás os teus filhos e ficarás sujeita à obediência do teu marido” (hummm... machista, o Criador). A partir daí, começa a história da humanidade. O que quero dizer  é  que ao induzir Adão e Eva a praticar o pecado original, a serpente condenou o homem à evolução, o que não aconteceria se o primeiro casal continuasse no Paraíso sem necessidade de fazer porra nenhuma para garantir o dia de amanhã.
Acho que está na hora de reconhecer o papel crucial desempenhado pela serpente na trajetória do homem na terra. Sem ela ainda estaríamos vivendo nus no meio do mato. Sem tevê e sem computador.
De minha parte, penitencio-me do extermínio de víboras que patrocinei na infância.
***
Beijos e abraços sibilantes, damas e cavalheiros.
Pra cima com a viga! 

Ilustração: A expulsão de Adão e Eva do Paraíso, de Michelangelo.

A rainha, o cavaleiro e o velhinho

No primeiro domingo de novembro, dia 7, o cavaleiro da rainha Sir James Paul McCartney esteve na capital dos gaúchos, mais precisamente no estádio Beira Rio, o celeiro de ases onde se abriga esta glória do desporto mundial que é o SC Internacional. O local não poderia ser mais adequado: para receber um lorde da música nada menos do que um palco igualmente aristocrático, reduto da nobreza rubra do universo do futebol (que, feliz coincidência, ganhou feições modernas na Velha Albion).
Diante de um acontecimento de tal magnitude, depois de profunda meditação, resolvi abandonar temporariamente a decisão de viver em reclusão, austeridade e silêncio, sob os votos de pobreza, castidade e obediência. Assim, incontinenti, deixei o catre e liguei para o Sem-Braço, meu concierge em assuntos relativos aos prazeres mundanos.
- Quero um ingresso pro show do Paul – informei.
- Ué, não sabia que ele estava por aqui. Pensei que tinha morrido.
- Como assim? Enlouqueceu? O cara tá mais vivo do que nunca. Ainda continua em forma. Finalmente os rapazes de Liverpool chegaram ao pampa. Os outros vão estar presentes em espírito. O show vai bombar.
- Rapazes? O doutor não tá falando do polvo Paul, o vidente da Copa?
- Claro que não, seu lorpa! Não tá sabendo do show do Paul McCartney.
- Ah! Ouvir falar – o gosto musical do Sem-Braço ainda reside no passado e não ultrapassou as fronteiras do Rio Grande. Só se interessa por Teixeirinha e Mari Teresinha.
- Tá. E aí, consegue o ingresso?
- Vou consultar minhas fontes. Ligo em meia hora.
Ansioso, aguardei. O telefone tocou 45 minutos mais tarde.
- Tá complicado, doutor.
- Como assim?
- É impossível clonar.
- Boca livre?
- Nem pensar. Tá tudo controlado. Pra entrar, só pagando na bilheteria.
Diante do preço exorbitante do ingresso e, principalmente, considerando os transtornos de fluxo de caixa que venho enfrentando nos últimos tempos, só me restou disparar um palavrão e retornar ao leito, embalado pela Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta.
***
Já a Rainha Preta Mari Timm e Alexandre, seu Cavaleiro Andante, não se deixaram abater por contratempos financeiros. Com a energia e a impetuosidade da juventude, deslocaram-se até as cercanias do Beira Rio para pelo menos usufruir da atmosfera mágica, festiva e histórica (e também histérica) que impregnava o local.
Pai zeloso, obtemperei sobre a impropriedade daquele passeio noturno.
- Qualé a graça de ficar do lado de fora? É perigoso.
- A gente só vai dar uma banda, seu Jens – disse o Cavaleiro Andante.
- Fica frio, pai.
Como sempre, obedeci.
***
O jovem casal teve a audácia recompensada, possivelmente bafejado por um conluio do bem formado por Apolo, Hebe e Afrodite (divindades da Beleza e das Artes, da Juventude e do Amor, respectivamente). Puderam ver e ouvir o show, inclusive com imagens do telão, através de uma fresta generosa no famoso portão 8 – tradicional ponto de protesto da torcida nas más fases da esquadra colorada.
A sorte sempre sorri para os corações apaixonados.
***                                                                                                           
A Rainha Preta ficou encantada.
- Adorei o velhinho.
- O cara é bom – corroborou o Cavaleiro Andante.
Eu reclamei.
- Pô, podiam ter me chamado.
- Qualé, pai, até parece que tu ia ficar três horas de pé sem reclamar.
Como sempre, ela tinha razão.
***
Um pequeno incidente enodoou a noite. Ainda restava 1 hora de show quando um grupo de socialiates, de costas para o palco, reivindicava aos berros que o portão fosse aberto. Queriam ir embora. Isto mesmo, depois de serem vistas, as piriguetes consideraram sua missão cumprida. Provavelmente nem sabiam quem era Sir Paul. Inacreditável.
Mari Timm ficou revoltada com tamanha desfaçatez. Protestou  com veemência, mas com a elegância verbal que apreendeu do pai.
- Vão tomar leitinho, suas vacas! Vão rebolar o traseiro em baile funk, suas %&*&*!
O Cavaleiro Andante, assustou-se com tamanha combatividade.
- Calma, amorzinho, calma.
- Que calma o quê, Alexandre. O velhinho tem quase 70 anos, veio lá do outro lado do mundo, faz um baita show e estas vacas não tem a menor idéia do que se trata. Assim não dá! Que falta de respeito!
A muito custo, foi contida.
Ao saber do ocorrido fiquei comovido. A Preta herdou a minha combatividade. Nossos ídolos são intocáveis. Já posso descansar em paz - daqui a uns 50 anos.
***
Excluindo este episódio deplorável , foi bonita a festa.
Sir Paul também se rendeu aos encantos do pampa:
- Ah, eu sou gaúcho! – despediu-se o cavaleiro da rainha.
***
Beijos e abraços pops, damas e cavalheiros. Boa semana para todos nós.

Update: Atendendo as exigências do orgulho paterno, e com autorização do casal 21, troquei a ilustração pelas fotos.

Enigma

Meu novo ancoradouro noturno – nas raras ocasiões em que abandono o conforto do castelo – é o Enigma, boteco cool administrado pelo Sandro e pela Mana. A clientela, diversificada, se divide por turnos.
O expediente da primeira leva vai das seis da tarde, quando começam os trabalhos, até às dez da noite. É formada basicamente por trabalhadores do setor terciário – pedreiros, marceneiros, escriturários, moto boys, artesãos – que, depois de um dia duro de labuta, renovam as energias com um pastel ou xis, cerveja e, para mitigar as aflições do cotidiano, distraem-se na mesa de sinuca.
O segundo turno, do qual faço parte, é formado pela turma que não tem compromissos pela parte da manhã (alguns nem à tarde). São trabalhadores eventuais, especialistas em eletricidade e hidráulica. Seus serviços consistem, basicamente, em viabilizar de forma clandestina o fornecimento de luz e água – popularmente conhecido como “gatos”, uma forma da choldra burlar a voracidade tributarista do Poder Público. Geralmente com pouco dinheiro, se contentam com uma partida de sinuca e doses generosas – a partir de 50 centavos o copo pequeno, o popular martelo – de cachaça (Velho Barreiro, 51 ou Minha Chinoca, dependendo do poder aquisitivo do freguês) e catuaba, uma mistura escura e intragável para cidadãos de hábitos etílicos refinados, como é o meu caso. Aliás, entre os habitués sou o único biscateiro que tem o verbo como instrumento de trabalho. Esta circunstância, aliada ao fato de não precisar sair de casa para exercer meu ofício, faz com que seja admirado e invejado por meus confrades.
O terceiro turno inicia à meia-noite e não tem hora para acabar. São os viventes da madrugada: jovens e nem tão jovens assim de aparência estranha, ostentando grandes tatuagens nos braços musculosos e argolas de metal encravadas em orelhas, bocas e narizes e exibindo cortes de cabelos insólitos. Vestem calças de brim e jaquetas de couro, com grossas correntes de prata adornando os pescoços ou fazendo às vezes de cinto. Também integram a tribo moças e nem tão moças assim igualmente tatuadas nos braços, bustos e pernas. Quase todas tem coxas grossas, traseiros protuberantes e seios agressivamente empinados – formas estas impavidamente delineadas em roupas justas, mais precisamente calças e blusas decotadas coladas no corpo ou saias cujo cumprimento revelador é um modo eficaz de testar a saúde das coronárias. Diante de tais visões paradisíacas, meu coração sempre pulsa com mais intensidade. Preciso controlar o cigarro e diminuir o consumo de sal.
***
Interlúdio romântico – Recentemente, uma destas divindades me deixou vivamente impressionado, se é que me faço entender... Assim motivado, rompi meu comportamento habitual (sou um bagual acanhado no exercício da arte da sedução) e arrisquei a sorte, joguei os dados verbais e fui bem sucedido. Dormi no paraíso e acordei no purgatório. A dama nem tão jovem assim encantou-se com o luxo aconchegante, a ponto de fazer planos com a intenção de passar uma longa temporada no castelo.
- Legal aqui. Vou trazer as minhas roupas. Posso cozinhar e limpar a casa. Que tal a idéia?
Em silêncio, Bob, o botão da minha primeira calça Levis, hoje minha consciência crítica, alertou para os perigos de aceitar a proposta. Ponderou que, convivendo com aquele portento curvilíneo e insinuante, tarefas domésticas e compromissos profissionais passariam a ocupar os últimos lugares na minha escala de prioridades diárias, a exemplo do que aconteceu no passado em ocasiões semelhantes. Bob me conhece.
Depois de um breve vacilo, aceitei o conselho e decidi, em nome da sobrevivência, não submeter meu reinado aos ditames de Baco e Afrodite.
Para reconquistar a liberdade da solidão, fui obrigado a abandonar a natureza dócil, principalmente no trato com o belo sexo, e adotar uma postura mais incisiva.
- Sinto muito a festa acabou. Bye, bye baby! Tchau! Chispa daqui, porra!
Há momentos em que um homem tem que ser durão. Sem jamais perder a ternura e a elegância, como se pode observar.
***
Trilha musical - O rodízio de clientes no Enigma só se altera nas sextas e nos sábados, quando todos os grupos se misturam numa algazarra enfumaçada. A trilha sonora é alvo de permanente disputa. Os velhos lobos preferem sambas tradicionais (Zeca Pagodinho é o rei inconteste), ou o rock ianque dos 1970/1980 (Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan, Santana e quejandos). Os jovens da alcateia reivindicam funk, pagode e música eletrônica. Os anciãos sempre vencem. Uma deferência do Sandro à fidelidade e prodigalidade no consumo. O som do momento é Benito de Paula, exumado pelo Valdir, pedreiro de profissão e musicólogo nas horas vagas. De minha parte, contribui para a CDteca com Tim Maia, Jorge Benjor e, para gaúdio geral, Bezerra da Silva.
Comes - O cardápio é pródigo em calorias oriundas da gordura animal. Quem tem hábitos frugais à mesa pode optar por ovos de codorna em conserva, batatas fritas, pasteizinhos feitos na hora, polenta frita em cubinhos ou o indefectível picadinho de queijo, presunto, azeitona e pepino. Já os glutões tem à sua disposição uma lista de maravilhas culinárias que inclui pastéis de dimensões e consistências respeitáveis nas opções carne ou frango. Os discípulos de Pantagruel certamente aprovarão. De proporções igualmente avantajadas são o prensado (queijo, presunto, tomate, alface e ovo) e uma penca de x-burguers de recheios variados, sendo que os aventureiros gastronômicos destemidos podem testar sua resistência degustando o x-Entrevero ou o Especial de 2 Andares, os manjares mais caros da casa (8,50 cada). Eu tentei encarar o desafio mas o estômago refugou. Prefiro pastel ou x-bacon, mais saudáveis. O único que completou a travessia foi o Jorjão, gente boa, campônio simples, contumaz barranqueador de éguas. Apesar de ser um fenômeno da natureza quando se trata de comida – come até tutano de boi e pés de galinha (argh!), a experiência de devorar um 2 Andares teve conseqüências danosas. Jorjão passou uma semana fazendo o percurso da cama para o vaso sanitário, debilitado por uma crise de vômito e diarréia abundantes.
Bebes - A carta de bebidas contempla desde o puro aguardente feito à base de cana até vinhos finos vendidos por 7 paus em garrafas de plástico de 1 litro e meio. Até pouco tempo era possível encontrar o uísque Jack Daniels, importado do Paraguai em minha homenagem. No entanto, atendendo aos reclamos do meu fígado delicado (parece uma mulherzinha) pedi dispensa temporária das tropas comandadas pelo bravo coronel do Tennessee, um dos pioneiros na produção de jóias líquidas a partir do malte escocês. Como um bom recruta, um dia pedirei o realistamento.
Tititi - As conversas que animam estes festins suburbanos seguem um roteiro pré-estabelecido, qual seja:  futebol, mulher, crimes hediondos, troca de informações sobre quem está comendo quem, relatos acerca de fatos acontecidos nos “bons e velhos tempos”, atualização sobre novas modalidades de sexo animal (inclusive com a participação dos mesmos), observações judiciosas sobre os caminhos perniciosos trilhados pela nova geração e, da mesma forma, condenação cabal daquela corja de corruptos que vive em Brasília às custas do nosso dinheiro. De vez em quando alguém ergue um brinde a um companheiro que esteja passando uma temporada atrás das grades. Geralmente trata-se de vítima de um erro judicial.
O Enigma é um templo libertário, onde quase tudo é permitido. Só não pode falar mal do Lula. Aí quebra o pau. Até a anarquia tem limites.
***
Beijos damas. Abraços, cavalheiros.
Boa semana para todos nós. Pra cima com a viga!

Guarda-noturno

Subi a Travessa Acelino de Carvalho e entrei na Andrade Neves em direção à rua da Ladeira. Tarde demais percebi que a rua estava deserta, e praticamente às escuras, apesar de ainda não serem 11 horas da noite de uma sexta-feira. A chuva e o frio e, principalmente a falta de segurança, certamente afugentaram o povo das ruas e estimularam os comerciantes a fecharem às portas mais cedo. Pensei em voltar quando percebi que eles já estavam atrás de mim – ainda distantes, mas se aproximando rapidamente.
Eram três. Vestiam o uniforme da tribo dos deserdados: calças e casacos de abrigos com capuz, sorriam e cantavam uma porcaria qualquer que nestes tempos pós-modernos se convencionou chamar de música. Os versos (!!!) da canção (???) não ficaram retidos na memória (felizmente – quanto mais o tempo passa mais inutilidades culturais se alojam no cérebro, porém, creio que os neurônios enfim se rebelaram, descartando o que não presta). Lembro apenas das palavras “tiozinho”, “bonde” e da expressão “o bicho vai pegar”, que, com base no meu parco conhecimento do linguajar atual do lumpesinato, traduzi, respectivamente como uma referência à minha pessoa, a eles próprios – os quadrilheiros (no caso um bondinho, considerando o reduzido número de supostos meliantes) e, por fim, o anúncio de um assalto iminente.
Convoquei no meu âmago o valente que um dia fui – forte, destemido e ágil no uso dos punhos e dos pés; exímio na distribuição de poderosos mata-cobras e certeiros rabos-de-arraia. Não o encontrei. Como suspeitava, este personagem lendário que zombava do perigo e caminhava com destemor pelas ruas da cidade aposentou-se por tempo de serviço, dando lugar a um ressabiado cidadão de meia idade que reluta em sair de casa, restringindo ao máximo o contato com as hordas bárbaras que vagam pela noite deste porto cada vez menos alegre e mais macambúzio.
Na ausência da coragem impetuosa, a covardia prudente assumiu o controle das ações. O coração acelerou, a boca secou, descargas abundantes de adrenalina atiçavam o medo. Meu primeiro um impulso foi fugir numa corrida desabalada. Temi, no entanto, que as pernas não obedecessem ou o coração acusasse o esforço.
Antes de abrir a boca para berrar por socorro, enfiei a mão no bolso e constatei que nem tudo estava perdido. A esperança era pequena, tinha cabo de madrepérola e cano de metal. Por falta de hábito – era a primeira vez que saía em sua companhia - esqueci que estava armado. Dois dias antes comprei o revólver calibre 32 do Lara – um comerciante audaz da região – que o havia recebido em troca de uma dívida. O contato com a arma espantou o medo, dando lugar a excitação que antecede a vingança, a volta por cima.
Parei no vão da entrada de um edifício, a pretexto de acender um cigarro. Eles se aproximaram.
- Dá um cigarro tio – pediu o mais alto, negro, magro, com os olhos esbugalhados denunciando o consumo de drogas.
- Era o último.
- Deixa de frescura e passa a grana, coroa – exibiu uma faca grande de churrasco.
Ergui as mãos.
- Tudo bem, calma. Vou pegar a carteira.
Lentamente enfiei a mão no bolso da jaqueta. Empunhei a arma, e dei um passo para trás, antes de revelar a surpresa.
O espanto cintilou nos olhos arregalados dos marmanjos quando viram a arma.
- Opa, que é isto tio? Calma, calma, calma. Vira o berro pra lá – havia medo nas caras e vozes.
- Isto é o que vai te mandar para o inferno – respondi, antes de espremer o gatilho.
Ao contrário do que esperava não foi um estrondo, mas um pipoco – um som seco, como se fosse de uma arma de espoleta com as quais eu brincava quando criança. O tiro pegou no peito do negro alto e magro. Vi a luz deixando seus olhos e o sangue manchando o abrigo enquanto ele caía.
Os outros dois começaram a choramingar, apavorados.
- Puta merda, ele matou o Tonhão!
- Perdão, tio, não mata a gente!
- A gente só queria dinheiro pra comprar comida.
- Dizem que a mesa do diabo é farta – respondi, e disparei novamente.
Quem caiu foi o mulato, com a mão no pescoço, tentando conter o sangue que jorrava.
O menorzinho, cor de ferrugem, correu em direção à rua da Ladeira. Não foi longe. Apontei, como nos filmes de tevê, e atirei. Ele caiu perto de um hidrante. Ainda estava vivo quando me aproximei.
- Ai, ai, ai...por favor, não me mate...
Meti uma bala na cabeça.
Apressei o passo e subi a rua da Ladeira arquejando. Aparentemente minha aventura não despertou a atenção de ninguém. Sorte de principiante.
***
Beijos soturnos, damas. Abraços vingadores, cavalheiros.

Pra cima com a viga.


PS: Trata-se de um texto de ficção. Mas vontade não faltou.

Dilma e eu

O texto a seguir foi publicado em abril de 2008, na Toca do Jens, blog que mantinha no UOL. Foi escrito na época em que a hoje presidente era ministra da Casa Civil. Trata-se de uma experiência desagradável que me deixou agastado com os dois maiores próceres petistas. Sua republicação tem como objetivo provar a minha independência jornalística - eu também sei ficar de mal. Então, confiram.
***
Boda

Na sexta-feira que antecedeu o feriado de Tiradentes, aconteceu aqui em POA o casamento da irmã do PAC, isto é a filha da ministra da Casa Civil Dilma Roussef. Festerê no Leopoldina Juvenil. Clube chic da city.
Confesso que, naquela semana, estava alheio ao noticiário em geral, preocupado, como desde sempre, com minha situação financeira. No entanto, ao saber do evento, fui imediatamente abrir a caixa de correspondência. Droga, só contas. Não me abalei. Otimista, julguei que o meu convite deveria estar chegando por mensageiro especial. Assim, tratei dos preparativos: agendei hora no barbeiro (bagual de boa cepa não vai ao cabeleireiro), aluguei uma fatiota (“igualzinha a um Armani”, garantiu a dona Claudinete, a dona do brechó), engraxei os sapatos e tomei um banho caprichado de dez minutos (normalmente levo cinco).
Meu otimismo não era despropositado. Afinal, conheci a companheira ministra no tempo em que ela ainda jurava amor eterno ao PDT gaúcho. Nos anos 90, cheguei mesmo a participar de alguns eventos da campanha eleitoral do pai da noiva, o então deputado estadual Carlos Araújo. Um dos dois haveria de lembrar-se de mim. Ou então, certamente, o companheiro Lula os faria lembrar (“festa em Porto Alegre? Convidaram o Olívio e o Jens?”).
Estava tranqüilo até o meio da tarde, quando pressenti que havia algo errado. O convite não chegava. O mensageiro poderia ter sido raptado. Pensei em telefonar para Brasília, mas a insensibilidade da Brasil Telecom havia me deixado sem comunicação com o mundo exterior. Apreensivo, enfatiotei-me e fui tentar uma carona com um dos meus amigos cobradores de ônibus. A solidariedade da classe trabalhadora mais uma vez vingou – graças ao físico esbelto, passei com relativa facilidade por baixo da roleta, com danos mínimos ao meu traje. Ainda não tenho idade para desfrutar do passe livre para a terceira idade. Felizmente (ou ao contrário, dependendo do ponto de vista).
No centro rumei célere para a igreja. Antes parei em uma lojinha de 1,99 e comprei (fiado) um plaquinha de madeira onde estava talhada a frase “Meu Lar é Meu Tesouro”. Um mimo para os nubentes.
No local havia um cinturão de segurança formado pelos homens da mui leal e valerosa Brigada Militar, que impedia o acesso da malta ignara ao templo do Senhor. Apesar dos meus argumentos (“Porra, sou camarada do Lula”, “Conheço a Dilma desde criança”) os ciosos homens da lei barraram o meu acesso. Dominado por um turbilhão de emoções contraditórias (olhos marejados e boca espumando de raiva), vi de longe a passagem dos convidados, entre os quais nove governadores (“Ô Requião, olha eu aqui!) e nove senadores. Até o Sarney estava lá (“Abaixo a Nova República”, vociferei para o prócer maranhense, lembrando bons tempos). A ministra Dilma não ouviu os meus berros (“Ô, sua sacana, e eu?!”). O mesmo aconteceu com o presidente Lula (“Esqueceu dos velhos companheiros, seu porra?!”). Senti uma faísca de reconhecimento no olhar terno da primeira-dama Marisa quando uivei como um cão abandonado (“Ajude-me!”). Os seguranças, porém, não permitiram a aproximação redentora.
Abatido, retornei ao castelo. Desta vez passei debaixo da roleta como uma minhoca. Nem me importei com os gracejos irônicos dos demais passageiros. Ingratidão dói.
Ah sim, parcelei o aluguel do terno (100 pilas, incluindo sapatos e meias) em duas vezes. A primeira parcela vence na segunda-feira. Mandei a conta pra Dilma pagar. Com o cartão corporativo, é claro.
***
Coda
Mas tudo isto faz parte do passado. Já fizemos as pazes.  Depois do incidente, recebi um amável cartão com pedido de desculpa e uma provinha do bolo de casamento.
No mais, bem-vinda presidente Dilma!!! Confesso: fiquei contente.
Cavalheiros: o Brasil é das mulheres. Vamos nos recolher à nossa insignificância. Beijos e abraços calorosos, damas.
Pra cima com a viga!

Powered by Blogger