Boas entradas



Antes de mais nada, um esclarecimento: não são verdadeiros os boatos espalhados de maneira insidiosa por meus inimigos, segundo os quais, em razão de excessos cometidos nos festejos de final de ano, eu estaria hospedado sob nome falso numa suíte do Hospital Mãe de Deus, em estado semicomatoso, recebendo doses maciças de vitaminas e glicose na veia e aguardando um urgente transplante de fígado.
Aqueles que me conhecem sabem que sou um homem de hábitos frugais, avesso a exageros de natureza gastronômica, etílica ou sexual. Na verdade, sou um asceta. Tanto é que neste momento me encontro jejuando em profunda meditação, recluso na masmorra de um convento da ordem dos monges beneditinos.
Não vou fazer referência aos dias de 2010, onde a dor de uma perda afetiva insubstituível (beijo, mãe) foi minorada pela reafirmação de conquistas  quase tão inestimáveis no campo dos afetos que vieram para ficar (grato, moças e rapazes do universo virtual pela presença constante e a mão amiga nas horas amargas). 
Assim é a vida: a dor e alegria nunca são absolutas.
O tempo é de olhar para a frente, elaborar planos e metas para o próximo ano. Geralmente, a gente esquece tudo já nos primeiros dias do ano, mas o que vale é a intenção, o desejo de avançar, de ser melhor – a aposta na felicidade.
Assim, imbuído deste espírito generoso e otimista, desejo a todos vocês um bom 2011. 
Diante da impossibilidade existencial da felicidade se hospedar na casa de cada um nós de forma permanente nos próximos 365 dias, desejo que suas visitas (dela, madame felicidade) sejam cada vez mais mais frequentes e demoradas.
Beijos e abraços, turma.
Sorte, saúde e sorte!
Pra cima com a viga!

A ilustração pesquei no blog do Kayser, que por sua vez tirou daqui. Há um século era com esta capa que o Saturday Evening Post saudava a chegada de um ano novo. O ilustrador é J. C. Leyendecker que consagrou a figura do Papai Noel de roupa vermelha e, principalmente, a do Bebê Ano Novo.

Uêba!


Fofas e fofos:
sou eu, Marisinha, amiga, pupila, secretária eventual, musa em tempo integral e paixão platônica do amado chefinho Jens.
Estou aqui, sem o seu conhecimento, para comunicar que, nesta quinta-feira, 30 de dezembro, ele está de aniversário. Completa 55 anos de glória e esbórnia.
Como sói acontecer neste período, os festejos alusivos à data iniciaram, ou melhor, continuaram após o Natal, com as pausas necessárias para a recuperação física (ainda está enxuto, o bom bagual). Neste aspecto, cabe salientar que há uma ambulância de plantão na porta do castelo para atender eventuais necessidades médicas dos convivas que se recusam a abandonar o palco da baderna. Quanto à saúde mental, este parece ser um caso perdido.
Se sobreviver, o amadinho deverá comparecer aqui na sexta-feira, para desejar a todos um Feliz Ano Novo. Como são fortes as probabilidades de que isto não aconteça - a farra parece não ter fim - considerem-se todos, desde já, felicitados. Como ele gosta de enfatizar: beijos para as damas e abraços para os cavalheiros.
Comunico que, seguindo o costume da Máfia Siciliana, os presentes devem vir em forma de pecúnia, de preferência em envelopes discretos encaminhados via Sedex ou mensageiro de confiança. Em razão de divergências com a Receita federal, não serão aceitos depósitos bancários.
Beijocas para todos.

Festas

Gosto de dezembro por ser um período desbragadamente festivo. Ele dá a partida à tradicional temporada hedonística a que a nação se entrega anualmente e só termina depois do último dia de Carnaval, para contrariedade particularmente de baianos e pernambucanos. 
O apreço pelo último mês do ano, no entanto, não impede meu aguçado senso crítico de apontar alguns costumes inconvenientes incorporados aos festejos da época.
Um dos hábitos que considero mais prejudiciais à saúde é aquele que determina que no Natal e no Ano Novo o camarada só possa encher o pandulho depois da meia-noite. Trata-se de uma imposição torturante: mesa farta, comida a dar com pau (esta gíria vai pegar), o estômago rugindo de fome e o cara esperando as doze badaladas para poder libertar Pantagruel. Alguém dirá que se pode petiscar durante a espera. Não recomendo, pois há o risco de estragar o apetite para o prato principal (peru, porco, churrasco ou o misterioso chester), como o sujeito que num restaurante se empanturra de pãozinho com manteiga enquanto aguarda o filé a parmeggiana. 
O interessante é que a bebida não obedece a mesma regra. Se quiser, o cara pode começar a biritar no almoço e seguir adiante até o fígado protestar: “qualé, quer me matar, seu porra?”. Uma das vítimas mais frequentes deste sistema draconiano é o Janjão (primo do Jorjão, contumaz barranqueador de éguas). Ele não lembra a última vez que cumprimentou Papai Noel ou saudou a chegada do Ano Novo. Sempre é abatido antes. No ano passado tentamos despertá-lo com gritos de incentivo revolucionário: “De pé, ó famélico da terra! De pé, ó vítima da fome!” Não deu resultado; só acordou às 2 horas da manhã, tomando gluco (glicose, para os não iniciados) deitado em um banco no corredor do Pronto Socorro. 
Vou fazer uma petição às autoridades eclesiásticas para que liberem o horário da comilança. Não me consta que Maria, José, os Três Reis Magos, as ovelhinhas, a vaquinha e o burro tenham esperado em jejum a chegado do Menino.
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Outro negócio que me incomoda é a programação de filmes na tevê nesta época do ano. É um pé nos países baixos. É sempre o mesmo nhenhenhém, filmes bíblicos ou películas exaltando o tal “espírito de Natal”, seja lá o que isto for (pra mim é uma corrida de obstáculos nos shoppings centers). Antes que alguém diga que estou tentando cercear a sagrada liberdade de comunicação empresarial, esclareço que sou pela liberdade ampla, geral e irrestrita. Acho apenas que todas as preferências devem ser contempladas, inclusive as dos sofisticados intelectos adeptos de obras primas da sétima arte, como é o meu caso. Assim,  permito-me recomendar entusiasticamente três filmaços. O primeiro é Natal Macabro. É a história de um boneco de neve que ganha vida. Mas é um boneco do mal, com sede de sangue, preferencialmente de criancinhas que acreditam em Papai Noel – sangue fresco e virgem aos borbotões, trilegal. O outro é A Vingança de Papai Noel. Traumatizado por um acontecimento da infância, o bom velhinho se dedica a decepar cabeças na noite de Natal, cuidadosamente acondicionados no saco, para posterior encolhimento. Este Papai Noel não vive no Pólo Norte, mas é o pajé de uma tribo de encolhedores de cabeça perdida nos confins da Amazônia. É um clássico do gênero. Por fim, como pièce de résistance, indico a última versão em 3D do insuperável Piranha! Corpos estraçalhados à granel. Coisa de bagual, indicado especialmente para almas sensíveis.
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Tinha muito mais coisas pra falar. Porém, confesso, estou com preguiça. Desde o início do mês, além do inferno astral (que só termina na semana que vem) estou enfrentando uma maratona de festas conjugadas com trabalho (árbitro de futebol adora uma churrascada). A última pauta etílico-festiva-churrascal é nesta quinta-feira, dia 23, a derradeira (assim espero) homenagem ao amado chefe Carlos Simon, que despediu-se galhardamente da arbitragem do rude esporte bretão. É um saco fazer a cobertura e se divertir ao mesmo tempo - alguma coisa sempre se perde (frequentemente não consigo decifrar minhas próprias anotações). Porém, como bom profissional, sigo altivo para o último churrasco de ovelha do ano. Ainda há quem diga que jornalismo é moleza.
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No Natal, mana Rosa e cunhado Beto lideram a tribo gaúcho-catarinense rumo à Porto Alegre. De Flopis já enviaram sinais de fumaça avisando: querem uma festa de Natal como nos velhos tempos, o que significa que vai ter festa de arromba. Que Tupã e Manitu me ajudem. Se der sorte como algo mais do que perú assado, se é que me faço entender...
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Beijos carinhosos para as adoráveis Deusas e abraços afetuosos para os preclaros Faunos.

FELIZ NATAL PRA TODOS NÓS!

(Aguardem minha visita na véspera de Natal, se o organismo permitir)

Pra cima com a viga!

A charge é do camarada Bier, que nos deu um susto no final do ano, mas já está legal.

Morte anunciada


Três posts abaixo fiz referência ao Diguinho, o verdugo não oficial do reino. Não se trata de um personagem criado pela minha mente delirante. Ele existe mesmo. É um jovem bonito e certamente faz sucesso entre o público feminino. No entanto, garotas não ocupam o primeiro lugar na escala dos seus interesses. Juntamente com a predileção por grossas correntes prateadas penduradas ao redor do pescoço, sua paixão primordial é por armas, ou, para ser mais preciso, pelos estragos que elas podem causar. Possui uma pistola Magnum 365, adquirida por vias marginais, que leva para todo lugar, seja nas andanças noturnas ou na ida matutina à padaria para comprar o prosaico pão para o café da manhã.
Diguinho não concebe a vida sem a companhia de um “ferro”, que é como chama o revólver.
- Não dá pra dar mole pra ninguém. Vacilou, dançou – é o lema que rege sua existência.
A aparência ainda saudável (é um novato no universo do crack) e a maneira como se veste, não totalmente obediente aos andrajos que o lumpesinato define como moda, me faz suspeitar que não faça parte da legião de degradados sociais sem pai nem mãe. Igualmente, a maneira correta de falar – apesar do abuso no uso de expressões comuns à marginalidade da periferia - indica que teve algum estudo formal.
Pela estampa, pode ser confundido com um jovem e promissor estudante de classe média. Ninguém diz que já matou, ou melhor, “apagou” dois seres humanos, segundo se comenta nos becos e vielas do meu reino desencantado. Sobrevive de pequenos assaltos, que garantem a alimentação frugal e o vício da pedra, o crack. Seu sonho é constituir uma quadrilha para assaltar bancos.
Diguinho acompanhou com entusiasmo a convulsão que atormentou o Rio de Janeiro nos últimos dias, torcendo pelas falanges do crime, naturalmente. Gostaria de estar lá, mandando bala pra baixo contra os agentes  da ordem. Empolgado, garante que faria estrago de bom tamanho nas forças da lei se estivesse na posse de um fuzil automático.
- Um dia ainda vou ter um destes. Pápápá... – suspira o jovem psicopata.
Ao contrário dos seus ídolos, Diguinho é branco. Recém ingressou na trilha dos vinte anos. Não acredito que vá chegar à metade desta estrada. Vai morrer de bala ou de pedra
***
Beijos e abraços desencantados, damas e cavalheiros.
Pra cima com a viga, apesar de tudo.

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