Na praia
Não gosto das praias do Rio Grande do Sul. Nunca fiz parte daquela tribo de babacas que, até hoje, na sexta-feira parte para o litoral e volta no domingo à noite, ou segunda-feira de manhã, para encarar o batente semanal. Minha idiotice tem limite.
Para ser exato, só freqüentei as praias do litoral norte gaúcho em três ocasiões. A primeira, ainda nos anos 70, foi por causa da Naira (na época, “bandida, estrela do meu caminho”). Ela foi com os pais desfrutar férias na praia de Santa Teresinha e eu convenci dois camaradas (igualmente apaixonados pela bela) que deveríamos mostrar nossa devoção in loco.
Rebeldes, fomos de carona (mas com grana suficiente para ida e volta, em caso de necessidade – éramos porraloucas, porém com responsabilidade).
Chegamos à noite. Famintos, não tínhamos lugar para dormir. Um policial militar em serviço, gentil, nos apontou uma estalagem onde teríamos cama e comida: a colônia de férias da Brigada Militar.
Ele era ingênuo ou sacana.
Chegamos ao local quando o salão estava lotado - os bravos e leais servidores públicos jantando e tagarelando com suas famílias. Boquiabertos, silenciaram com a nossa presença – dois brancos e um negro, todos cabeludos, mochila nas costas e calças Lee boca de sino. Maconheiros, certamente (neste aspecto, naquele tempo, uma avaliação não de todo equivocada). Fomos expulsos de imediato, sob ameaça de prisão. Só nos restou dormir sob o abrigo precário de uma casa em construção. Poético, fiz uma observação sensível em relação às estrelas do céu. Para sorte dos leitores, esqueci.
Na manhã seguinte, encontramos Nairinha e, sob a janela onde ela nos encarava com os olhos escuros encantados surpresos e divertidos, entoamos “Detalhes” de Roberto Carlos. Dona Leonor, a mãe da jovem deusa, me dirigiu um olhar severo e compassivo ao mesmo tempo (“só pode ser coisa tua”). Depois, nos alimentou. Voltamos de ônibus – segunda-feira era dia de trabalhar.
***
A segunda vez foi em Cidreira, na inauguração da década de 80, na casa da dona Iria, mãe da então minha consorte Bete Timm. A Mariana, em breve, seria um projeto de vida. Recordo do vento e da luta inglória para que o churrasco não fosse contaminado pela areia. Dormimos na sala. Lembro que foi uma noite legal, se é que vocês me entendem....
***
A terceira – e última vez – que coloquei os pés em uma praia do RS foi em Tramandai, numa semana qualquer do novo século, em companhia da Bete Timm e da Rainha Preta Mari Timm da Silva. Sei do primeiro dia de sol, da água marrom e do repuxo. Depois disto só sai da choupana onde nos abrigávamos para ir ao bar da esquina.
***
Praia, pra mim, é Flopis. Qualquer hora conto como é. Ou não.
***
Damas: “e os beijos são cometas percorrendo o céu da boca...”
Cavalheiros: ah, vão fão! Abraços, cambada de inúteis.
Pra cima com a viga.







