Conselheiro sentimental
(Antes de qualquer coisa, reconheço que estou em débito com todos vocês. Sorry, a coisa está osca por aqui - como sempre estou correndo atrás do vil metal. Mas me aguardem. Aparecerei. Isto posto, vamos às coisas do coração como convém a esta época enamorada).
***
O Zeca (foto acima) é o meu melhor e mais fiel amigo. O único cara que tem paciência para ouvir meus choramingos amorosos.
O Zeca (foto acima) é o meu melhor e mais fiel amigo. O único cara que tem paciência para ouvir meus choramingos amorosos.
- Estou apaixonado – declarei.
- Como é que é?
- Estou apaixonado, porra!
O Zeca latiu baixinho, compreensivo. Sabia que eu queria confessar.
O amor nos torna idiotas? Acho que sim. Assim, abri o coração (meu Deus, “abri o coração”, a que ponto cheguei!).
- Eu amo ela (“amo ela”. Cacófato explícito. É o fim da várzea!). Depois de tentar me morder, o Zeca engasgou. Continuei.
- PQP é a mulher mais linda, gostosa e adorável do mundo.
- Quinhentos anos atrás dizias o mesmo na Nairinha, lembra?
- O que passou, passou. Estou falando do meu amor da maturidade.
O Zeca lambeu a pata.
- Ainda não comeu, né?
- Não seja vulgar, seu animal.
- Comeu ou não comeu?
- Her, hum... não ao vivo e a cores. Mas sabe como é, imaginação é tudo...
- Entendi. É gostosa?
- A mais gostoduzulda das coxoduzuldas – esclareci.
- Já disse isto pra ela?
- Claro que não, seu quadrúpede. Sou um cavalheiro.
- Cavalheiro, não. Imbecil, sim.
- Me respeita, seu porrinha. Não vou te dar ração.
Meu companheiro se coçou vigorosamente atrás da orelha peluda. Terminado o trabalho, olhou e lambeu a pata, satisfeito.
- Tu não conheces as mulheres, seu tonto.
- Como assim?
- Chega junto, seja agressivo. Dá uma encoxada e diz “vem cá, gostosa!”
- Tu é um animal ignorante – acusei.
- Com muito orgulho – ele retrucou.
Acendi um cigarro pra mim e dei um biscoito canino pra ele. Pensei e depois indaguei:
- Será que funciona?
- Claro. Tens que mostrar que é homem. Aliás, tu é um homem ou uma coca-cola?
- Sou um bagual dos pampas – respondi enfático.
- Pois então, tem que mostrar. Agarra, encoxa e diz: te amo, gostosa. Te quero. Depois beija.
- E daí?
- Não vai querer que eu te ensine tudo, né?
- Hehehe... claro que não. Tô sabendo.
Zeca anunciou que estava com sono e, balançando o pequeno rabo, dirigiu-se para seus aposentos reais.
Eu fiquei pensando: porra, que cachorro metido. Acha que sabe tudo da vida.
Será?
Por via das dúvidas, vou testar seus conselhos.
Na paixão, é tudo ou nada.
***
Beijos, deusas maravilhosas.
Abraços, rapazes. Façam novenas por mim.
***
Pra cima com a viga, moçada.

